quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Faces do Anarquismo









Exponho abaixo algumas vertentes do anarquismo com o objetivo de clarear as idéias de quem associa a linha anarquista apenas com o liberalismo econômico e o fascismo das politicas direitistas.

Anarco-individualismo

Inspirado nas idéias do alemão Max Stirner "A única regra sou eu". Considerado o lado egoísta do anarquismo, pois prega contra tudo o que possa contrariar a vontade do individuo, além de pregar contra vínculos, regras e moral. 

Atualmente essa linha pode ser encontrada nos livros de auto-ajuda que propagam idéias como:  "Você pode vencer.", "Suba sozinho", "Domine o Mercado"

Pesquise: Max Stirner 

Anarco-capitalismo

Também conhecido por libertarianismo. Seus apreciadores odeiam o Estado, mas são a favor da propriedade privada. 

Atualmente encontramos essa linha na terceirização de serviços e fundações como a de Bill Gates que doam alguns milhões para combater epidemias. 

Pesquise: Ludwig von Mises

Anarco-federalismo

É a ideia de de auto-gestão e coletivismo das associações operárias.

Atualmente encontramos essa linha em iniciativas como Creative Commons, Wikipedia, CMI (Centro de Mídia Independente), onde pessoas do mundo todo compartilham informações e também aprimoram os trabalhos de forma coletiva.

Pesquise: Joseph Proudhon

Anarco-Sindicalismo

É o seguimento que vê no sindicato o principal instrumento de luta anarquista.

Atualmente a força sindical caiu nos vícios dos partidos (como alertou Malatesta) ou simplesmente são presididos pelos próprios empresários da categoria.

Pesquise: Federica Montseny

Anarco-Comunismo

"Indivíduos acima de tudo" e a economia coletivizada.
Essa visão  floresceu em fábricas e cooperativas onde a figura do patrão nem do empregado existiam. 

Pesquise: Bakunin e Kropotkyn

Anarquia-revolucionária

É a propaganda pela ação, como dizia Kropotkyn: "um ato vale mais que 1000 planfletos"

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O Brado Coletivo dos Trópicos

Foto: Juliana Botão



por Lisa Alves

Nos últimos dias o Brasil tem experimentado a ação das reuniões coletivas unicamente vistas anteriormente nas aglomerações festivas e esportivas que se volveram em um símbolo de uma nação tupiniquim. O alegre e hospitaleiro Homem Cordial”, de Sérgio Buarque de Hollanda, como em um surto psicótico foi tomado de ódio e voz. De uma miúda manifestação reivindicando contra o aumento na tarifa do transporte coletivo ao grito em coro de cidadãos aparentemente sem bandeiras sobre múltiplas causas que navegam em mares da possibilidade e do equívoco. As disputas por uma liderança nas manifestações fizeram-se notadas em todos os tabloides quando a cada dia surgia uma nova testa jovem guiando algum movimento de alcunhas distintas: do conhecido "Movimento Passe Livre" aos até então sem vozes como o "Juntos" e o denominado "Marcha do Vinagre" florescido no calor dos acontecimentos e como resposta ao Estado gerador de abusos por meio da força policial.  O mundo ampliou suas lentes às manifestações que de pacíficas passaram ao ato de agredir coisas e instituições financeiras como os Bancos e Lojas e se alargaram a luta entre militares e civis. No último dia vinte de junho mais de um milhão de brasileiros tomaram as ruas e o descontrole se apoderou de algumas cidades onde o coro dos descontentes movimentos sociais se uniu à vingança descomprometida de supostas facções e infiltrados. Compreender as ações que desviaram o objetivo dos manifestantes tornou-se tarefa árdua e pauta de fóruns nas redes sociais“Seriam militares disfarçados provocando a desmoralização dos movimentos?”, “Seria uma intenção de Golpe?”, “Seria a extrema direita desviando as pautas?” ou “Seria o ódio inflamado das massas que se recusam a serem menores do que coisas de vidro e concreto?”. 

Contudo é preciso fazer uma leitura mais madura dessas manifestações e menos apaixonada no sentido de não nos limitarmos às mágoas em nome de líderes-heróis. Sim é preciso reconhecer o mérito, já que é bem clara a mudança de consciência do nosso povo desde o ano em que Lula assumiu a presidência e mudou o rumo histórico de um Brasil que até então não possuía grandes estatísticas de mobilidade social. A esquerda provou que dez anos valeram por todos os outros e por isso não podemos ser ingratos, pois se o Brasil está mudando a semente foi plantada também pelo cara que dizia incendiado: “Companheiros e Companheiras...” Apesar disso é momento de se pensar no coletivo sem os signos e cores ideológicas que têm nos afastado. Vivemos uma apartheid social que se revela geograficamente – O Brasil do Sul e Sudeste não é o Brasil do Norte e Nordeste.

A violência focada nas manifestações é tão relativa quanto o tempo, mas esse (o tempo) já nos revelou que a violência verdadeira está presente nas filas largas dos hospitais, está presente no sistema carcerário (que deveria ser um sistema de reabilitação social e não uma escola de geração de ódio e mais violência), está presente na educação pública que carece de atenção e um ensino que provoque no ser mais paixão e valorização pela sabedoria, está presente na falha da saúde pública que serve de publicidade gratuita aos planos de saúde, está presente na insegurança pública que como na saúde fomenta novos gastos em seguros e mais seguros, está na presente na impunidade relativa a corrupção, está presente na indiferença do Estado relacionada às prioridades das regiões que vivem em períodos extensivos de seca, está presente nas comunidades indígenas e quilombolas que são dizimadas por interesses capitalistas e pela santíssima trindade desde os tempos da colonização, está presente no controle imobiliário que obriga as pessoas a sustentarem um setor que pela lógica da equidade nunca deveria ter existido, está presente na diversidade sexual que não tem sido respeitada quando é obrigada a ingerir religiosos achatando direitos conquistados e rebolando na Constituição quando assumem funções que enevoam o Estado Laico e ainda por cima querem volver o corpo da mulher em um território regido por leis que só servem para potencializar a desigualdade entre os gêneros. 

Bakunin através de sua teoria anarquista defendia a utilização da violência para provocar transformações na sociedade e estabelecer relações mais justas entre os homens. Além dele praticamente todos os anarquistas socialistas libertários alertavam sobre a necessidade do recurso de violência como legítima defesa à violência do Estado. E se formos sinceros e justos perceberemos que o vandalismo causado nas últimas manifestações é um cisco comparado à violência que o Estado nos sujeita – da ausência de serviços básicos para a manutenção da vida aos campos de concentração denominados por Sistema Prisional. Será que depois de explanar tudo isso as manifestações ainda são incompreensíveis, mesmo quando violentas e desordenadas?  A regressão dos nossos Direitos Humanos é motivo de piada, jogaram uma comissão tão importante nas mãos de pessoas que tomam a bíblia cristã por Constituição Máxima. Isso sim é um ato violento e opressor! É por isso e por tantas outras contradições que o povo não compreende o papel dos Poderes. É por isso é por tantas “cegueiras” e “joãos sem braços” que a população está com ódio desses representantes que só se curvam a vontade do coletivo em suas campanhas eleitorais. Enquanto escrevo esse texto meus vizinhos gritam “Gol” e eu penso em desistir e tacar um “Foda-se” a tudo isso, mas eu não sou assim e anseio por um Brasil melhor: um Brasil com reforma agrária, um Brasil sem preconceitos, um Brasil sem fome e miséria, um Brasil ecologicamente equilibrado. Utopia?  Não, não é! Isso é executável, isso pode ser realidade, mas antes vamos ter que quebrar muitas coisas, começando pelo medo de lutar e de nos politizar. O Homem é um animal político nos afirmou Aristóteles e política é a arte ou ciência da organização, direção e administração, continuar cedendo essa capacidade a outrem e legitimar todas essas mazelas que amargamente digerimos. Vamos primeiramente lutar por uma democracia participativa, onde qualquer lei tenha que passar pela aprovação coletiva antes de ser levada para votação nas câmaras municipais, estaduais, distritais e federais. Segundo Wisconsin, sobre a obra “O lucro ou as pessoas?” de Noam Chomsky,  para que a democracia seja efetiva é

necessário que as pessoas se sintam ligadas aos seus concidadãos e que essa ligação se manifeste por meio de um conjunto de organizações e instituições extra-mercado. A democracia neoliberal, com sua ideia de mercado über alles, nunca tem em mira esse setor. Em vez de cidadãos, ela produz consumidores. Em vez de comunidades, produz shopping centers. O que sobra é uma sociedade atomizada, de pessoas sem compromisso, desmoralizadas e socialmente impotentes.  Em suma, o neoliberalismo é o inimigo primeiro e imediato da verdadeira democracia participativa, não apenas nos Estados Unidos, mas em todo o planeta, e assim continuará no futuro previsível.

Vamos exigir que uma Comissão como a dos Direitos Humanos torne-se composta por representantes dos movimentos sociais.  Depois, bem depois de perdemos o medo principiemos na caça pelas “cabeças” dos dez homens mais ricos do Brasil que segundo contagens de 2010 possuem juntos uma bagatela de 111,5 bilhões de dólares. Gravem os nomes e pesquisem: Sicupira, Marinho (s), Herrmann Telles, Eike Batista, Dirce Navarro de Camargo, Antônio Ermírio de Moraes e José Safra. Cacemos não para imitar atos Stalinistas e sim para distribuirmos o lucro de seus legados aos setores carentes do nosso território. 

Chomsky nos lembra em O lucro ou as pessoas? (1999) :


 “em geral empresas gigantescas que controlam a maior parte da economia internacional têm meios de ditar a formulação de políticas e a estruturação do pensamento e da opinião.” 


Através dessa reflexão nos compete pensar e agir aplicando o calor dos trópicos para uma energia libertadora e criativa. Precisamos sim dançar como bem disse Emma Goldman, em uma discussão com um camarada, mas dancemos para nos movimentar no sentido de sentirmos, parafraseando Rosa de Luxemburgo, as correntes de nossas prisões.

Sem mais, por enquanto.

Texto publicado no CMI Centro de Mídia Independente

domingo, 30 de junho de 2013

Manifesto do Povo Kayapó

Criança Kayapó


                                                                A Rosa Vermelha







Aldeia Kokraimoro, 05 de junho de 2013.



Nós, 400 caciques e lideranças Mebengôkre/Kayapó de todas as aldeias das Terras Indígenas Kayapó, Menkragnoti, Badjonkôre, Baú, Capoto/Jarinã, Xicrin do Catete, Panará e Las Casas, localizadas nos estados do Pará e Mato Grosso, com apoio dos caciques do povo Tapayuna e Juruna, também do estado Mato Grosso, juntos estivemos reunidos na Aldeia Kokraimoro-PA, margem direita do rio Xingu, entre os dias 03 a 05 de junho de 2013. Comunicamos ao governo brasileiro e a sociedade que repudiamos os planos do Governo Federal e do Congresso para diminuir os nossos direitos tradicionais e direitos sobre nossas terras e seus recursos naturais.


A PEC 215 que transfere do poder executivo ao Congresso Nacional a aprovação de demarcação e ratificação das Terras Indígenas já homologadas é uma afronta aos nossos direitos. Dizem que as referidas demarcações seriam participativas e democráticas, mas sabemos que esta proposta é uma estratégia clara da bancada ruralista para não demarcar as Terras Indígenas e diminuir os tamanhos das nossas terras já demarcadas e homologadas.

A PORTARIA 303 expedida pela Advocacia Geral da União viola os nossos direitos sobre os territórios tradicionais que ocupamos e seus recursos naturais. Também infringe os nossos direitos de consulta livre, prévia, informada e participativa, quando o governo quer implantar empreendimentos que impactam direta e indiretamente nosso povo, nossa cultura e nosso território. Lembramos que este direito é garantido também pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, ratificada pelo governo brasileiro.

O Projeto de Lei 1610/96 que está em tramitação no Congresso Nacional tem como proposta a autorização para entrada de empresas mineradoras em nossas terras sem respeitar nossas opiniões e decisões. Não vamos aceitar mineração em nossas Terras.

O Governo e o Congresso precisam respeitar os artigos 231 e 232 da Constituição, que garantem nossos direitos. Exigimos a anulação de todas as portarias, decretos, PL’s e PEC’s que ameaçam e prejudicam os povos indígenas. Nós queremos que a Constituição Federal, que ajudamos a construir, permaneça como está escrita desde 1988. Está escrito que o usufruto exclusivo das riquezas naturais do solo, do rio, da floresta dentro das Terras Indígenas é dos indígenas e não dos brancos.

Não aceitamos arrendamento de nossas terras pro branco encher de gado e de soja, como quer a PEC 237/13 que autoriza arrendamento de pasto em Terra Indígena para fazendeiro e empresas de agronegócio.

Não aceitamos que as forças armadas invadam nosso território sem a nossa autorização, como prevê o Decreto no 7.957/2013. O que aconteceu com nosso parente Munduruku, assassinado pelo Estado brasileiro, é uma vergonha inaceitável que não pode se repetir nunca mais.

Nós queremos uma FUNAI fortalecida, que trabalhe do lado dos Povos Indígenas e não para os interesses do Governo, grupos políticos, das grandes empresas e dos ruralistas.

Nós Mebengôkre, caciques, lideranças, guerreiros e todas as nossas comunidades, desde o inicio não aceitamos a construção de Belo Monte, nem de nenhum outro barramento no Xingu, pois enfraquece nosso povo. Podem ter certeza que não vamos parar de lutar.

O Brasil tem uma dívida histórica conosco, povos indígenas, que nunca será paga. Não estamos cobrando isso, apenas queremos que nossos direitos escritos Constituição Federal de 1988 sejam respeitados. Nós somos os primeiros donos dessa terra que se chama Brasil, portanto continuaremos defendendo nossa terra, nossos povos e nossos direitos.

O Governo precisa se preocupar com a pobreza no Brasil, fazer leis para melhorar a saúde, acabar com a violência, a corrupção, com o trafico de drogas e tudo de ruim que esta prejudicando a sociedade brasileira, e deixem os indígenas viverem em paz em suas terras!

Não reconhecemos como nossos representantes a Presidenta da Republica Dilma Rouseff e os deputados e senadores que estão no congresso, e nem os que ocupam as comissões e sub- comissões estratégicas, decidindo sobre os nossos direitos, como a subcomissão de demarcações de Terras Indígenas. A demarcação de Terras Indígenas tem de continuar como atribuição do poder Executivo.

Não estamos somente preocupamos com nós e nossas terras, mas também com os nossos parentes que ainda estão isolados. Não aceitaremos que estes sejam contatados.

Se não temos representantes no Congresso, vamos mobilizar nossos parentes Kayapó e outros parentes de luta para mostrar para a sociedade nossa mensagem: não vamos aceitar a diminuição dos nossos direitos e nossas terras e vamos lutar da nossa maneira, parando estradas, ocupando canteiros de obras, acionado o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal, articulando com o movimento indígena e a sociedade civil.



segunda-feira, 4 de março de 2013

UM MUNDO CHEIO DE NÃO PESSOAS

A foto é na Rebelião da Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem. Dia 21/02/2013.




Como diz meu amigo Akira Riber Junoro: "Se não nos atentarmos, por muito pouco nos tornamos fascistas!"

Quem confia na reabilitação social através do nosso sistema carcerário que aguarde daqui alguns anos pa
ra compreender melhor esse sistema e talvez (embora tarde) haja um pouco de reflexão e culpa (a mesma que vestiu no pós-guerra milhares de alemães que juraram desconhecer o que se passou naquelas "prisões" com camaras de gás e limpeza étnica).

Pra frisar melhor isso é bom lembrar que atualmente em países de economias inspiradoras ao Brasil como é os EUA a taxa de encarceramento é um negócio e um instrumento de controle social que enriquece de forma surpreendente os bolsos dos donos das prisões privadas (modelo que tende a ser copiado aqui). 


"À medida que o negócio das prisões privadas alastra como gangrena, uma nova categoria de milionários consolida o seu poder político. Os donos destes cárceres são também na prática donos de escravos, que trabalham nas fábricas no interior prisão por salários inferiores a 50 cêntimos por hora. Este trabalho escravo é tão competitivo, que muitos municípios hoje sobrevivem financeiramente graças às suas próprias prisões, APROVANDO SIMULTANEAMENTE LEIS QUE VULGARIZAM SENTENÇAS DE ATÉ 15 ANOS DE PRISÃO POR CRIMES MENORES COMO ROUBAR PASTILHA ELÁSTICA. O alvo destas leis draconianas são os mais pobres mas sobretudo os negros, que representando apenas 13% da população americana, compõem 40% da população prisional do país." ***

Para concluir deposito aqui a opinião sobre o sistema carcerário, de Noam Chomsky (linguista, filósofo e ativista político mais respeitável e decente do nosso tempo):

“Há apenas duas respostas possíveis: ou todos os líderes são coletivamente insanos, o que podemos descartar, ou simplesmente temos que buscar outros objetivos. No exterior é uma campanha de contra-insurgência, em casa, uma maneira de se livrar de uma população supérflua, há uma correlação muito estreita de raça e classe, não perfeita, mas quase: na verdade, os homens negros estão sendo jogados fora. Na Colômbia, chamam de limpeza social. Aqui nós simplesmente dizemos que é colocá-los na prisão”.



*** http://www.diarioliberdade.org/artigos-em-destaque/404-laboraleconomia/28263-10-factos-chocantes-sobre-os-eua.html

A Hora Mais Escura







Não se iludam com o marketing do filme “A Hora Mais Escura” de Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror).

Filme tendencioso que serve apenas para formar opinião, ou melhor, deformar, pois possivelmente o espectador não muito atento termina o filme com três conclusões erradas: 

1- De fato os EUA "deram cabo" de Bin Laden
2- Não, jamais existiu contato diplomático entre os EUA de Bush e Osama Bin Laden, afinal a CIA (como mostra o filme) caçou incansavelmente o dito cujo.
3- Pensei que CIA fosse mais violenta. Esses caras do filme são “fichinha” para a nossa “Tropa de Elite”. 

Além disso, esqueceram de explicar como uma caçada mundial foi tão negligenciada na hora de mostrar o troféu e acabou em uma questão tão pessoal.


Por um Estado no mínimo Laico



Artigo 19, da Constituição Federal diz o seguinte: É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

As Aventuras de Pi



               por Lisa Alves
 
          
            As aventuras de Pi, dirigido por Ang Lee, é um filme sobre o imaginário, sobre Deus(es), sobre a natureza, sobre a arte, sobre a relação entre as espécies e sobre a complexa relação de nós com nós mesmos.

 

         A película em 3D é carregada de simbolismos perspectivos e narrativos, além de paisagens exuberantes que homenageiam a biota do planeta e assinala o domínio intransferível da natureza (algo que passa a beber na fonte de Homero quando Pi volve-se em um Ulisses castigado, testado e expiado pelos deuses). 

 

           O nome do protagonista também me chamou a atenção visto que como o filme o nome de Pi possui duas variantes: a concreta é que ele foi registrado como Piscine Molitor (em homengem ao tio que “coleciona” piscinas – um tio descrito como um Tritão) e a romântica é sobre um garoto Pi que defendia a derivação de seu nome através da letra grega π  (Pi) que refere-se ao número mais famoso da história universal  (3,14159265....). Um número que curiosamente também foi  associado a Deus, ao Criador, à  aquele que representa a fórmula geométrica que criou a natureza.  
             
          As Aventuras de Pi  é uma adaptação da obra literária A Vida de Pi, de Yann Martel




sábado, 19 de janeiro de 2013

O Império do Monopólio Midiático





Nas fotos:  Héctor Magnetto





Matéria bem esclarecedora, com elementos históricos e sem isentar lados, a Carta Capital em 23 de dezembro de 2012 explana em O Leviatã Midiático sobre a polêmica que demonizou a presidente da Argentina Cristina Kirchner:



“A distorção do noticiário dos meios do grupo Clarín não tem limites. Denunciam graves atentados à liberdade de expressão, e encontram amplo eco em seus congêneres em outros países, a começar, claro, pelo Brasil, onde cinco grupos dão as cartas.
(...)
Evidentemente, não é de liberdade de expressão que se trata, e sim da liberdade de acumular concessões...
(...)
Enroscos judiciais à parte, a faceta mais visível da briga entre o governo e o Clarín gira ao redor de um mesmo eixo, a formidável concentração de meios nas mãos do grupo. Nunca é demais repetir sua participação no mercado: 42% das licenças de rádio, 59% da televisão fechada (a cabo), 39% da televisão aberta. São 254 canais de televisão a cabo (algumas fontes mencionam apenas 237, o grupo diz que na verdade são 158, a nova lei diz que não podem ser mais do que 24 licenças), duas dúzias de televisões abertas (o limite permitido é dez).
(...)
Cabe registrar que o governo de Cristina Kirchner não é, nem de longe, pioneiro nessa batalha contra a concentração e, muito especialmente, contra o Clarín. O primeiro presidente pós-ditadura, Raúl Alfonsín, tentou a mesma coisa. Chegou a mandar fiscais da Receita invadirem a empresa e durante meses virar pelo avesso sua contabilidade.
(...)
Por trás desse conglomerado gigantesco, além do mais, há histórias escabrosas. O jornal Clarín surgiu em 1945, de forma relativamente modesta. Seu fundador, Roberto Noble, era um fervoroso admirador de duas figuras que haviam marcado época e deixado um rastro de barbaridades: um italiano chamado Benito Mussolini e um austríaco chamado Adolf Hitler.
(...)
Na ditadura, o jornal ganhou corpo e voz. E tornou-se um grupo importante, graças às manobras de seu executivo, Héctor Magnetto, que começou como contador e hoje é o segundo maior acionista da empresa.
(...)
Diante do tribunal, Lidia Papaleo contou como foi violada, agredida, vexada. Teve o tímpano arrebentado a golpes de mão aberta contra o ouvido. Muitas vezes, depois de estuprada, era levada de volta para a cela e jogada, nua, no chão. “E então, contou ela ao juiz, ‘eles vinham e cuspiam, urinavam e ejaculavam em cima de mim’.” Contou que até hoje, em seus pesadelos, revê o rosto de seus torturadores. E disse que nenhum desses rostos a amedronta mais que o do homem que a pressionou para assinar os documentos da venda da Papel Prensa. Os olhos do homem que dizia, com uma voz serena e calma, que ou ela assinava, ou veria sua filha ser morta, antes de ela mesma ser assassinada. Esse homem chama-se Héctor Magnetto e é o presidente do Clarín, do qual detém 33% das ações.

Leiam a matéria na integra: Carta Capital




quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Os Kaiowá somos nós

"Os Kaiowá somos nós. Os índios não são “nossos índios”. Eles não são “nossos”. Eles são nós. Nós somos eles. Todos nós somos todos eles. Somos outros, como todos. Somos deste outro país, esta terra vasta que se vai devastando, onde ainda ecoam centenas, milhares de gentílicos, etnônimos, nomes de povos, palavras estranhas, gramáticas misteriosas, sons inauditos, sílabas pedregosas mas também ditongos doces, palavras que escondem gentes e línguas de que sequer suspeitávamos os nomes.Nomes que mal sabemos, nomes que nunca ouvimos, mas vamos descobrindo." - Revista Modo de Usar & Co. 




 
totem from Andre Vallias on Vimeo.




Leia o texto completo na  Revista Modo de Usar & Co. 
Dica de Katyuscia Carvalho Kanauã Kaluanã

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Rawa - Luta contra a violência (mulher vítima de violência no Afeganistão)






 Nessa manhã recebi mais um vídeo do Canal da RAWA com mais um infeliz caso de tortura contra a mulher.


A vítima é Manizha, 20 anos, da área de Moqor do sul da província de Ghazni, que revelou para a  BBC como ela era constantemente torturada pelo marido.



Ela foi mantida no porão de sua casa por semanas, com as mãos e os pés amarrados. Seu marido a acorrentou e  a espancou com paus e chicote.



Manziha acrescenta: "Não há nenhuma parte do meu corpo que não esteja ferida. As unhas das minhas mãos caíram, e os meus pés não têm força para se moverem."


 
A RAWA, Associação Revolucionária das Mulheres do Afeganistão, é a única organização política/social feminista das mulheres afegãs, anti-fundamentalista, que luta pela paz, liberdade, democracia, e pelos direitos das mulheres.