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segunda-feira, 4 de março de 2013

A Hora Mais Escura







Não se iludam com o marketing do filme “A Hora Mais Escura” de Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror).

Filme tendencioso que serve apenas para formar opinião, ou melhor, deformar, pois possivelmente o espectador não muito atento termina o filme com três conclusões erradas: 

1- De fato os EUA "deram cabo" de Bin Laden
2- Não, jamais existiu contato diplomático entre os EUA de Bush e Osama Bin Laden, afinal a CIA (como mostra o filme) caçou incansavelmente o dito cujo.
3- Pensei que CIA fosse mais violenta. Esses caras do filme são “fichinha” para a nossa “Tropa de Elite”. 

Além disso, esqueceram de explicar como uma caçada mundial foi tão negligenciada na hora de mostrar o troféu e acabou em uma questão tão pessoal.


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

As Aventuras de Pi



               por Lisa Alves
 
          
            As aventuras de Pi, dirigido por Ang Lee, é um filme sobre o imaginário, sobre Deus(es), sobre a natureza, sobre a arte, sobre a relação entre as espécies e sobre a complexa relação de nós com nós mesmos.

 

         A película em 3D é carregada de simbolismos perspectivos e narrativos, além de paisagens exuberantes que homenageiam a biota do planeta e assinala o domínio intransferível da natureza (algo que passa a beber na fonte de Homero quando Pi volve-se em um Ulisses castigado, testado e expiado pelos deuses). 

 

           O nome do protagonista também me chamou a atenção visto que como o filme o nome de Pi possui duas variantes: a concreta é que ele foi registrado como Piscine Molitor (em homengem ao tio que “coleciona” piscinas – um tio descrito como um Tritão) e a romântica é sobre um garoto Pi que defendia a derivação de seu nome através da letra grega π  (Pi) que refere-se ao número mais famoso da história universal  (3,14159265....). Um número que curiosamente também foi  associado a Deus, ao Criador, à  aquele que representa a fórmula geométrica que criou a natureza.  
             
          As Aventuras de Pi  é uma adaptação da obra literária A Vida de Pi, de Yann Martel




quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Cinema, Poesia e Todo Sentimento do Mundo

Eu vejo poesia na arte em movimento e quando vejo espalho e me espelho. Abaixo descrevo essa percepção em três maravilhosos filmes: Histórias que só existem quando lembradas ( Brasil, Argentina, França), A Febre do Rato (Brasil) e E Agora, aonde vamos? (Líbano)




HISTÓRIAS QUE SÓ EXISTEM QUANDO LEMBRADAS (BRASIL, ARGENTINA, FRANÇA)




Jotuomba um lugar onde Thanatos não cruza há muito tempo, uma cidade onde as recorrências são graciosas (quase graças). O cemitério é solo proibido e impenetrável e cada membro do lugar carrega uma missão notável e insubstituível: fazer os pães, moer o café e apreciar as badaladas da Igreja.


O filme é carregado de símbolos não habituais, não há previsibilidade e nem mesmo uma edição que nos furta a liberdade de senti-lo e de disseca-lo. Para um expectador sensível e atento ele se pinta como um poema desses impossibilitados de uma única interpretação.

Cada cena se apresenta como um alvo de uma bela fotografia, cada fiapo, cisco, pedaço, textura e cor devolve a “nós” uma ternura do que foi, do que estava e do que ainda permanece no mundo intocado pelo “nosso mundo”.

Senti uma saborosa nostalgia ao assisti-lo.

Ano: 2011
Gênero: Drama
Diretor: Júlia Murat





A FEBRE DO RATO 
(BRASIL)




A obra dirigida por Cláudio Assis é um filme de linguagem poética, modela os princípios anarquicos e volve-se em uma canção hedonista (sem dogmas e rituais). A estrutura da película é delicada, a fotografia torna-se linguagem e a poesia tonifica o preto e branco ao apontar as mazelas e casulos de uma sociedade destinada à substituição. A alcunha do filme “Febre do rato” é uma expressão peculiar do Nordeste, que representa “estar fora de controle”.

Recomendo aos apaixonados pela poesia e aos desvestidos de pudores.





E AGORA, AONDE VAMOS?
(LÍBANO)
 



" A história que vou contar é para quem quiser ouvir. 
História de gente que jejua e de gente que reza.
 De um povo isolado cercado por minas. 
As mãos manchadas de sangue em nome da cruz e da meia lua.
 E uma longa história, de mulheres vestidas de preto.”
 

Muçulmanos e cristãos convivem em uma miúda aldeia no Líbano, a vida pacifica entre famílias tão diferentes guarda um segredo escondido a setes chaves pelas mulheres do local.

Et maintenant on va où ? (E Agora, Aonde Vamos?) é um filme da diretora e também atriz Nadine Labaki e arrisco julgá-lo como uma obra prima da sétima arte. Em um tempo não apontado a película trata da arte feminina de provocar a paz, são Penélopes que não aguardam seus Ulisses e sim tecem qualquer armadilha para que Ulisses nunca se vá. Matronas, esposas, donzelas que compreenderam que o conflito em nome de seres invisíveis só devolvem a elas filhos, irmãos, noivos e esposos na horizontal. O que mais fez meus olhos brilharem perante essa sublime e emocionante obra foi o comportamento universal dessas figuras femininas a tal ponto que me fizeram teorizar sobre: “o quanto foi mérito da mulher o vingar de nossa espécie?”

Além disso a obra incorporou vários gêneros do cinema tornando-a uma reprodução fidedigna da realidade, pois na vida, como bem sabemos, gememos e gargalhamos.

Garanto que minhas notas do filme não abordam nem dez por cento do que ele de fato expõe.

Faço uma ponte desse filme com a literatura de Cem Anos de Solidão (Gabriel Garcia Marques) e De volta a Istambul (Elif Shafak). 

E Salve as realidades fantásticas!  



domingo, 12 de agosto de 2012

Da Servidão Moderna - O Filme

Michael Vincent Manalo




Capítulo I: Epigrafo 
“Meu otimismo está baseado na certeza que esta civilização vai desmoronar. Meu pessimismo em tudo aquilo que ela faz para arrastar-nos em sua queda.”

Capítulo II: A servidão voluntária
“Que época terrível esta, onde idiotas dirigem cegos.” - William Shakespeare
  
Capítulo III: A organização territorial e o habitat
“O urbanismo é a tomada do meio ambiente natural e humano pelo capitalismo que, ao desenvolver-se em sua lógica de dominação absoluta, refaz a totalidade do espaço como seu próprio cenário.” - Guy Debord, A sociedade do espetáculo
  
Capítulo IV: A mercadoria 
“A primeira vista, a mercadoria parece uma coisa simples, trivial, evidente, porém, analisando-a, vê-se complicada, dotada de sutilezas metafísicas e discussões teológicas.” - O Capital, Karl Marx, capítulo I, livro 4.

 Capítulo V: A Alimentação
“O que vem a ser alimento para um é veneno para o outro.” - Paracelso

Capítulo VI: A destruição do meio ambiente
Que triste é pensar que a Natureza fala e que a espécie humana não a escuta . - Victor Hugo

Capítulo VII: O trabalho
Trabalho, do latin Tripalium, três paus, instrumento de tortura.

Capítulo VIII: A colonização de todos os setores da vida
“é o homem inteiro que é condicionado ao comportamento produtivo pela organização do trabalho, e fora da fábrica ele conserva a mesma pele e a mesma cabeça.” - Christophe Dejours

Capítulo IX: A medicina mercantil 
"A medicina faz-nos morrer mais... "- Plutarco

Capítulo X: A obediência como segunda natureza
“De tanto obedecer, adquirimos reflexos de submissão.” - Anônimo

Capítulo XI: A repressão e a violência 
 “Sob um governo que prende qualquer homem injustamente, o único lugar digno para um homem justo é também a prisão.” - Henry David Thoreau, A desobediência civil

Capítulo XII: o dinheiro
“O que outrora se fazia “por amor a Deus”, hoje se faz por amor do dinheiro, isto é, daquilo que hoje confere o sentimento de poder mais elevado e a boa consciência.” - Aurora, Nietzsche

Capitulo XIII: Não há alternativa na organização social dominante.
Acta est fabula (a peça está representada)

Capítulo XIV: A imagem
E, se não, fica sabendo ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste. - Antigo Testamento, Daniel 3 :18

Capítulo XV: A diversão
“A televisão aliena aos que a vêm, e não aos que a fazem.” - Patrick Poivre d’Arvor

Capítulo XVI: A linguagem 
“Nós acreditamos que dominamos as palavras, mas são as palavras que nos dominam.” - Alain Rey

Capítulo XVII: A ilusão do voto e da democracia parlamentar 
“Votar é abdicar.” - Élisée Reclus

Capítulo XVIII: O sistema mercantil totalitário
“A natureza não criou amos nem escravos, eu não quero dar nem receber leis.”- Denis Diderot

Capítulo XIX: Perspectivas
O poder não é para ser conquistado, ele deve ser destruído.

Capítulo XX: Epílogo

“Cavalheiros, a vida é muito curta… Se nós vivemos, vivemos para andar sobre a cabeça dos reis.”  - William Shakespeare, Henrique IV



Para ler o livro: "Da Servidão Moderna"

Para assistir o filme:


sábado, 23 de junho de 2012

Mulheres do Cinema - uma Ponte com a Filosofia

por Lisa Alves


  TELMA E LOUISE

"Um homem não pode ser mais homem do que os outros, porque a liberdade é igualmente infinita em todos." 

Jean-Paul Sartre



 MARY GRIFFITH (Orações para Bobby)

"As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras." 

Nietzsche




 A personagem sem nome de Charlotte Gainsbourg. (ANTICRISTO)

“O castigo como meio de redimir-se para com a pessoa prejudicada e sob uma forma qualquer (por exemplo, uma compensação em forma de dor).” 


Nietzsche - in Genealogia da Moral




 SELINA KYLE vulgo Mulher Gato (Batman – O Retorno, 1992)


“ Eu existo fora de mim, e por toda parte do mundo não há uma polegada sequer de meu caminho que não se insinue num caminho alheio. (...) A moral da ambigüidade será uma moral que recuse negar a priori que existentes separados possam ao mesmo tempo estar ligados entre si, que suas liberdades singulares possam forjar leis válidas para todos.” - 


Simone de Beauvoir




GRACE MARGARET MULLIGAN (DOGVILLE)

“Esse espaço fechado, recortado, vigiado em todos os seus pontos, onde os indivíduos
estão inseridos num lugar fixo, onde os menores movimentos são controlados, onde
todos os acontecimentos são registrados, (...) onde o poder é exercido sem divisão,
segundo uma figura hierárquica contínua, onde cada indivíduo é continuamente
localizado, examinado e distribuído… A ordem (…) prescreve a cada um seu lugar, a
cada um seu corpo, a cada um sua doença e sua morte, a cada um seu bem por meio de
um poder onipresente e onisciente (...) até a determinação final do indivíduo, do que o
caracteriza, do que lhe pertence, do que lhe acontece...” 


Foucault





 BEATRIX KIDDO (Kill Bill)

"O senso primitivo do justo — notadamente constante de diversas culturas antigas a instituições modernas — começa com a noção de que a vida humana é uma coisa vulnerável, uma coisa que pode ser invadida, ferida, violada de diversas maneiras pelas açoes de outros. Para esta penetração, a única cura que parece apropriada é a contrainvasão, igualmente deliberada, igualmente grave. E para equilibrar a balança verdadeiramente, a retribuição deve ser exatamente, estritamente proporcional à violação original. Ela difere da ação original apenas na sequência temporal e no fato de que é a sua resposta em vez da ação original — um fato freqüentemente obscurecido se há uma longa sequência de ações e contra-ações". 


Martha Craven Nussbaum




 
HANNA SCHMITZ  (O Leitor)

A ignorância é vizinha da maldade”. 

Provérbio árabe




AILEEN WUORNOS ( Monster – desejo assassino)

"Eu era uma criança, esse monstro que os adultos fabricam com as suas mágoas." 

Jean-Paul Sartre




sábado, 7 de maio de 2011

A vida e a morte são duas putas teatrais & La Belle Verte

"a única decisão verdadeiramente ética é 
cada um tomar para si a responsabilidade
de sua própria existência e da de seus filhos" (Mollison, 1990


Estou cheia de ter que reconquistar o mundo a cada dia.
As pessoas se satisfazem com palavras bonitas, olhares baixos, submissão teatral, o tal “pisar em ovos”. No fundo o que querem são mentiras, desculpas, beijos de Judas, abraços que mais esmagam do que confortam. Já estou quase nos trinta e posso afirmar com convicção lispectoriana que também estou cansada da vida. O mundo comemora mentiras: “Mataram Bin Laden”, “Obama é americano”, “No Ocidente as pessoas são livres”, “Todo super homem tem que usar uniforme azul, vermelho e branco”. A vida é bizarra, vejo as pessoas sonhando e idealizando coisas que não são delas, o sonho americano entra pela porta (ou melhor pela Janela Windows) durante dias e noites e invade o subconsciente leso da humanidade. Onde estou? Fui contaminada? Escapei antes? Infelizmente, não sei, sim e não! Fui contaminada e o antídoto vale uma vida. Já tem mais de um ano que li um livro que falava sobre a Turquia (costumes, cultura, religião, música) e fiquei com uma sensação estranha de que estou do lado errado. Acho que quero morrer em Istambul como uma das personagens centrais do livro e antes de ser enterrada gostaria que contratassem um grupo de mulheres para chorarem por mim, para que mesmo morta eu não me esqueça que a vida e a morte são duas putas teatrais.

Tudo isso é apenas para recomendar um filme "La Belle Verte" que está além do que podemos chegar. Talvez alguns milênios se descermos do palco. Um filme francês de 1996, escrito e dirigido por Coline Serreau, que também é a personagem central.

Lisa Alves 

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"O planeta Terra, apesar de seu potencial paradisíaco, se tornou uma "piada cósmica" de humor quase negro. A admirável e rara beleza de nosso planeta azul, a multi diversidade da manifestação mineral, vegetal e animal de nosso orbe se tornou vítima de implacável algoz: a interferência humana.
O ser humano se tornou o algoz maior de si próprio.
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LA BELLE VERTE, literalmente "a bela verde", traz uma mensagem daquilo que poderia ser nosso planeta Gaia, uma casa onde todos os seres vivem em perfeita harmonia com a Natureza, sem os "avanços tecnológicos" baseados em nossa Física mecanicista, mas com o domínio de "tecnologias" avançadas de telepatia, capacidade de teleportar-se e de viver em um permanente estado lúdico e de hedonismo inocente, onde brincar de acrobacias e meditações coletivas "ouvindo o silêncio" são partes importantes da vida diária.
Em nossa realidade presente temos um quadro representativo dos valores endeusados pela sociedade; o patético ambiente consumista dos movimentados "shopping centers", onde humanos robotizados, condicionados a comprar quinquilharias que não necessitam correm pra lá e cá perdidos em sua solidão e ilusões inconscientes. Não sabem que correm de si mesmos, correm para "lá e então", sem nunca estarem AQUI, AGORA." -

CRÉDITOS:
Coline Serreau, francesa, autora, diretora, responsável pela música original e personagem central, que teve a inspiração de criar esse curioso filme, que nos leva a imaginar um novo mundo de liberdade, paz, harmonia, bondade, amor, respeito, simplicidade e leveza DE SER.
Assista aqui.