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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Potencial de energia solar no Brasil


por Lisa Alves 


    O Brasil necessita expandir sua oferta de energia, contudo este procedimento estratégico deve ser adjunto ao desenvolvimento social, econômico e ambiental. As fontes renováveis de energia que fazem parte da matriz energética brasileira alcançam um ideal de desenvolvimento sustentável, todavia o implante dessas fontes é sabotado pela política de suprimento de energia de forma centralizada. Conforme informações do site Portal Energia (2011) a energia solar é efetiva em locais apartados ou de complicado ingresso, pois sua instalação em ínfima escala não requer gastos em amplas linhas de transmissão. Em países tropicais, como o Brasil, a aplicação da energia solar é recomendável em praticamente todo o território, e, em locais distantes dos centros de produção energética seu uso contribui na diminuição da busca energética e consequentemente evita a perda de energia que adviria na transmissão.


            O presente mostra os conflitos sociais e ambientais causados no Brasil através de novas construções de barragens, como Belo Monte, por exemplo. Pensar em uma matriz energética menos causadora de impactos, evitaria conflitos e impactos materiais, culturais e ambientais. Em pleno século XXI o Brasil ainda apresenta áreas sem nenhum tipo de fornecimento energético. Problema que ocasiona a migração de milhares de pessoas para as cidades a procura de emprego, ocasionando o crescimento desordenado das cidades, desemprego, submoradias e impactos ambientais.  E agora com a escassez de água já deveríamos ter projetos aprovados para o uso dessa fonte.



                O Brasil, por ser um país circunscrito em sua maior parte na região intertropical, tem amplo potencial de energia solar durante os seus doze meses anuais. De acordo com informações da Agência FAPESP (2009) o Brasil tem uma competência de geração de energia solar de 200 a 250 watts por metro quadrado, o que é classificado pela agência como um potencial muito superior. Além disso, a agência informa que o Brasil tem o dobro dos níveis de insolação de países europeus como a Alemanha, país esse que domina o maior mercado mundial por gerar mais de 40% de sua eletricidade através de fontes fotovoltaicas. Para o Brasil, as chances nesse setor são promissoras, mas para isso é necessário um grande investimento na capacitação tecnológica e industrial.

            Vantagens: a energia solar é uma energia limpa, ou seja, não polui durante seu uso. As centrais carecem de manutenção mínima. Os painéis solares evoluem rápido, estão cada vez mais potentes, ao mesmo tempo em que seu preço vem decaindo. É um tipo de energia excelente para lugares distantes ou de difícil acesso, pois sua instalação em pequena escala não sujeita a enormes gastos em linhas de transmissão. (PORTAL ENERGIA, 2011)
            
               Segundo Oliva et al (1996) e Faria (2004), a sociedade como um todo se beneficia com a implantação de sistemas fotovoltaicos como alternativa de energia pois:
   
    há o aproveitamento da energia solar, que é uma fonte gratuita de energia, abundante e não poluente; há a contribuição para a preservação do meio ambiente por conservar a energia elétrica, o que pode levar à redução da necessidade de construção de obras de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, que causam impactos ambientais; contribui para a redução das dificuldades para o suprimento de energia e de potência que eventualmente venham a ocorrer no sistema elétrico nacional nos próximos anos e para a diversificação da matriz energética; promove a redução da emissão de gases do efeito estufa e outros poluentes e cria empregos locais diretos e indiretos.

            Desvantagens: as formas de armazenamento da energia solar têm pouca eficiência quando confrontadas aos combustíveis fósseis e a energia hidrelétrica. Outro fator desvantajoso é o rendimento de apenas 25%. (Portal Energia, 2011) Não obstante, os impactos ambientais causados pelas hidrelétricas são em montante superiores as desvantagens na utilização da energia solar. Segundo Leite (2005) a locação de hidrelétricas pode provocar impactos ambientais no clima modificando a temperatura, a umidade relativa, a evaporação, a precipitação e os ventos. 


As energias renováveis, como a energia solar, surgem como resistência a um modelo globalizado que considera mais viável qualquer fonte de energia que possua maior potencial energético e lucrativo e com isso desconsidera os impactos ambientais que aquela matriz energética poderá causar. Todavia, o emprego de sistemas de energia solar ainda está sujeito ao implante de ações de incentivo que auxiliem a superar os obstáculos técnicos, econômicos e de mercado existentes. Algumas medidas já auxiliariam nesse tipo de substituição de matriz energética como: a mudança no código de construção civil, divulgação da tecnologia, cursos de capacitação, pesquisa, metas ambientais e incentivos fiscais para grandes empreendimentos que adotassem esse tipo de fonte energética. Lembrando que a utilização de energia em uma economia capitalista está fortemente associada a um conjunto de questões: incluindo a mitigação da pobreza, o crescimento populacional ordenado, o nível de urbanização, industrialização, saúde, educação, inclusão social e prosperidade econômica da região. Uma comunidade isolada e sem recursos energéticos está condenada ao  êxodo. 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Faces do Anarquismo









Exponho abaixo algumas vertentes do anarquismo com o objetivo de clarear as idéias de quem associa a linha anarquista apenas com o liberalismo econômico e o fascismo das politicas direitistas.

Anarco-individualismo

Inspirado nas idéias do alemão Max Stirner "A única regra sou eu". Considerado o lado egoísta do anarquismo, pois prega contra tudo o que possa contrariar a vontade do individuo, além de pregar contra vínculos, regras e moral. 

Atualmente essa linha pode ser encontrada nos livros de auto-ajuda que propagam idéias como:  "Você pode vencer.", "Suba sozinho", "Domine o Mercado"

Pesquise: Max Stirner 

Anarco-capitalismo

Também conhecido por libertarianismo. Seus apreciadores odeiam o Estado, mas são a favor da propriedade privada. 

Atualmente encontramos essa linha na terceirização de serviços e fundações como a de Bill Gates que doam alguns milhões para combater epidemias. 

Pesquise: Ludwig von Mises

Anarco-federalismo

É a ideia de de auto-gestão e coletivismo das associações operárias.

Atualmente encontramos essa linha em iniciativas como Creative Commons, Wikipedia, CMI (Centro de Mídia Independente), onde pessoas do mundo todo compartilham informações e também aprimoram os trabalhos de forma coletiva.

Pesquise: Joseph Proudhon

Anarco-Sindicalismo

É o seguimento que vê no sindicato o principal instrumento de luta anarquista.

Atualmente a força sindical caiu nos vícios dos partidos (como alertou Malatesta) ou simplesmente são presididos pelos próprios empresários da categoria.

Pesquise: Federica Montseny

Anarco-Comunismo

"Indivíduos acima de tudo" e a economia coletivizada.
Essa visão  floresceu em fábricas e cooperativas onde a figura do patrão nem do empregado existiam. 

Pesquise: Bakunin e Kropotkyn

Anarquia-revolucionária

É a propaganda pela ação, como dizia Kropotkyn: "um ato vale mais que 1000 planfletos"

sábado, 19 de janeiro de 2013

O Império do Monopólio Midiático





Nas fotos:  Héctor Magnetto





Matéria bem esclarecedora, com elementos históricos e sem isentar lados, a Carta Capital em 23 de dezembro de 2012 explana em O Leviatã Midiático sobre a polêmica que demonizou a presidente da Argentina Cristina Kirchner:



“A distorção do noticiário dos meios do grupo Clarín não tem limites. Denunciam graves atentados à liberdade de expressão, e encontram amplo eco em seus congêneres em outros países, a começar, claro, pelo Brasil, onde cinco grupos dão as cartas.
(...)
Evidentemente, não é de liberdade de expressão que se trata, e sim da liberdade de acumular concessões...
(...)
Enroscos judiciais à parte, a faceta mais visível da briga entre o governo e o Clarín gira ao redor de um mesmo eixo, a formidável concentração de meios nas mãos do grupo. Nunca é demais repetir sua participação no mercado: 42% das licenças de rádio, 59% da televisão fechada (a cabo), 39% da televisão aberta. São 254 canais de televisão a cabo (algumas fontes mencionam apenas 237, o grupo diz que na verdade são 158, a nova lei diz que não podem ser mais do que 24 licenças), duas dúzias de televisões abertas (o limite permitido é dez).
(...)
Cabe registrar que o governo de Cristina Kirchner não é, nem de longe, pioneiro nessa batalha contra a concentração e, muito especialmente, contra o Clarín. O primeiro presidente pós-ditadura, Raúl Alfonsín, tentou a mesma coisa. Chegou a mandar fiscais da Receita invadirem a empresa e durante meses virar pelo avesso sua contabilidade.
(...)
Por trás desse conglomerado gigantesco, além do mais, há histórias escabrosas. O jornal Clarín surgiu em 1945, de forma relativamente modesta. Seu fundador, Roberto Noble, era um fervoroso admirador de duas figuras que haviam marcado época e deixado um rastro de barbaridades: um italiano chamado Benito Mussolini e um austríaco chamado Adolf Hitler.
(...)
Na ditadura, o jornal ganhou corpo e voz. E tornou-se um grupo importante, graças às manobras de seu executivo, Héctor Magnetto, que começou como contador e hoje é o segundo maior acionista da empresa.
(...)
Diante do tribunal, Lidia Papaleo contou como foi violada, agredida, vexada. Teve o tímpano arrebentado a golpes de mão aberta contra o ouvido. Muitas vezes, depois de estuprada, era levada de volta para a cela e jogada, nua, no chão. “E então, contou ela ao juiz, ‘eles vinham e cuspiam, urinavam e ejaculavam em cima de mim’.” Contou que até hoje, em seus pesadelos, revê o rosto de seus torturadores. E disse que nenhum desses rostos a amedronta mais que o do homem que a pressionou para assinar os documentos da venda da Papel Prensa. Os olhos do homem que dizia, com uma voz serena e calma, que ou ela assinava, ou veria sua filha ser morta, antes de ela mesma ser assassinada. Esse homem chama-se Héctor Magnetto e é o presidente do Clarín, do qual detém 33% das ações.

Leiam a matéria na integra: Carta Capital




domingo, 7 de março de 2010

Pegada Hídrica

Você sabe calcular quantos litros de água são necessários para os alimentos do seu dia a dia chegarem até sua casa?

Esse cálculo é conhecido como pegada hídrica. Foi criado pela ONU, em parceria com empresas e institutos de pesquisa com a intenção de calcular quanta água é gasta desde a retirada de matéria-prima da natureza até sua transformação em bem de consumo.

Vejamos alguns exemplos:


1 quilo de arroz = 3,4 mil litros de água.






1 litro de leite = 1 mil litros de água









1 quilo de milho = 900 litros de água








1 quilo de trigo = 1,3 mil litros de água.









1 quilo de carne bovina: 15,5 mil litros de água






A WWF-Brasil também
criou a pegada ecológica que mostra em hectares qual a dimensão de território um cidadão gasta com seus hábitos de consumo.

sábado, 16 de janeiro de 2010

A influência dos Profetas da Ficção Cientifica na Era Tecnológica


por Lisa Alves

A linha divisória entre ficção e realidade torna-se para os amantes da literatura e do cinema de ficção cientifica do século XXI apenas uma questão de tempo. Quando é possível reconhecer comportamentos, valores e invenções se transformando em um modo de vida do agora, sendo que outrora não passavam de simples palavras profetizadas por um escritor ou um cineasta futurista, esta linha só tende a se tornar cada vez mais uma pura questão de tempo. Há quem diga que a arte é puro sentimento e há quem diga também que o futuro é puro sentimento. Em 1993, o atual senador e ex-governador do Distrito Federal (Cristovam Buarque) escreveu Futuro em uma coletânea denominada O Pensamento Inquieto que surgiu após o Fórum do Pensamento Inquieto que se realizou na UnB (Universidade de Brasília). Cristovam deixa bem claro em seu discurso que o futuro só pode existir através do sentimento humano:

“Será que o fim da humanidade é a morte do futuro? Eu acho que sim. (..) ... o futuro terá morrido, porque o futuro não é um conceito de tempo físico. O futuro é um sentimento dos homens.”


Não há um ser humano que não queira imaginar o seu próprio futuro. No entanto, é impossível alimentar esperanças ou desesperanças futuras sem imaginar um mundo novo, um mundo que esteja preparado e equipado para servir todas nossas expectativas e sonhos. A ciência de hoje quando quer justificar o financiamento às suas pesquisas, faz prognósticos de possíveis benefícios que ela trará à humanidade no futuro. Paulo Belo Reyes, arquiteto e doutor em Ciências da Comunicação pela UNISINOS, escreveu um artigo em 2003 para a revista Teorema intitulado “Cidades do futuro no cinema” cujo tema é focado na idéia da implantação de novas tecnologias dentro dos roteiros cinematográficos. Paulo Belo cita três exemplos de filmes que ele denomina “cinema de antecipação” ou seja filmes que abordam a temática das tecnologias em contexto social. Metrópolis (Fritz Lang, 1926) para ele anuncia o processo de industrialização, Blade Runner (Ridley Scott, 1982) pauta a clonagem e Matrix (Irmãos Wachowski, 1999) a inteligência artificial. Ele traduz com perfeição a influência da ficção cientifica e ainda acrescenta:


“As novas tecnologias que têm sido mediatizadas pelo cinema não comparecem fora de um determinado contexto social. Pelo contrário, sempre estão articuladas e contextualizadas num tempo e num espaço.”

É impossível ignorar avanços científicos que antes mesmo dos próprios cientistas, foram previstos em obras de ficção. Exemplo disso foi o escritor francês Júlio Verne que em seu livro De la terre à la lune (Viagem à lua), de 1865, previu que o homem conseguiria chegar ao satélite da Terra e também qual seria a velocidade necessária para essa jornada (11 km/s). Em Vinte mil léguas submarinas, de 1869, o escritor previu que os submarinos futuramente utilizariam um combustível muito eficaz e inexaurível. Mais tarde, em 1954 submergiu o primeiro submarino da história movimentado por propulsão nuclear, que em homenagem ao personagem capitão Nemo de Vinte mil léguas submarinas, foi batizado pelos norte-americanos de Nautilus. A robótica também foi uma filha gerada no ventre literário. É verdade que a mesma floresceu depois da chegada do computador, no entanto, ela foi baseada na obra do ficcionista (e também bioquímico) Isaac Asimov. O termo "robótica" aparece primeiramente em uma pequena história sua, de 1942, intitulada Runaround. Mas é em 1950 que Asimov postula as três leis fundamentais da robótica:

1ª Lei: Um robô nunca deve atacar a um ser humano, nem omitir socorro a um ser humano em perigo.
2ª Lei: Um robô deve sempre obedecer às ordens dadas pelos seres humanos (a não ser que esta lei entre em conflito com a primeira).
3ª Lei: Um robô nunca deve se auto-destruir e destruir a um dos seus (a não ser que esta lei entre em conflito com as duas primeiras).

Estas leis foram criadas em uma coletânea de contos intitulada Eu, robô (cuja adaptação foi exibida nos cinemas em 2004). Na obra de Asimov as Leis da Robótica protegem a integridade humana contra possíveis confrontos entre criador e criatura. Pode ser que futuramente venhamos a desenvolver recursos semelhantes a fim de que ninguém seja prejudicado pelo mau uso dos robôs. Não é segredo para ninguém que as máquinas a cada dia estão se aperfeiçoando e até mesmo poupando seres humanos de algumas profissões de risco. A Era Tecnológica clama por dinamismo, perfeição, economia e quantidade. Diante deste quadro é exigido cada vez mais a presença de máquinas no chamado Mercado Industrial, diminuindo assim a força de trabalho humana. Asimov pressupõe uma coexistência tranqüila e promissora entre homens e máquinas o que não impede que o Homem tema sua extinção e caía na conhecida "síndrome de Frankenstein" que simboliza a criatura virando-se contra o seu criador. Cristovam Buarque também em Futuro explica a raiz dessa fobia humana relacionada às mudanças futuras:

"A ficção científica ( um dos grandes indicadores de como vemos o futuro), que, salvo 1984, só tinha livros que colocavam o futuro como idílio, passou a se dedicar ao terror. Hoje assistimos mais os filmes pelo terror do que pela imaginação do futuro, porque o futuro ficou assustador. Todo o futuro era visto como de paz, de tranqüilidade. Hoje, temos uma violência crescente. Todos os sonhos dos utopistas, dos socialistas utópicos, dos socialistas científicos, dos capitalistas eram de que o mundo do futuro seria um mundo sem desigualdade social (...) A desigualdade aumentou. Então, o medo aumentou, ressurgiu. A violência cresceu. A arte entrou no sentimento de esgotamento."

Dentre estas influentes obras citadas seria imperdoável deixar de comentar o Admirável Mundo Novo, escrito por Aldous Huxley em 1931. Considerada uma fábula futurista, a obra relata uma sociedade completamente organizada, sob um sistema científico de castas, cuja liberdade individual foi eliminada para dar lugar a uma servidão aceitável. Os indivíduos dessa sociedade eram controlados quimicamente pelo Soma ( uma droga que era distribuída para todos com a função de eliminar conflitos, desejos e ansiedades). Não havia espaço para questionamentos ou dúvidas, nem para os conflitos, pois até os desejos e ansiedades eram controlados quimicamente pelo droga com o intuito de preservar a ordem dominante. As castas superiores eram decantadas em betas, alfas e alfas+ e as castas inferiores eram classificadas de Deltas e Ipsilons. Os indivíduos já tinham uma predestinação obtida através dos controles feitos desde a geração por um sistema que aliava controle genético. Durante o sono as pessoas recebiam doses regulares de propaganda que faziam com que as mesmas tivessem suas crenças, comportamentos e ideologias padronizados. A visão de Aldous nesse livro demonstra uma visão de futuro bem diferente da época que ele vivia. O autor considerava 1931 uma época cujo pesadelo era a excessiva falta de ordem. Já na sua obra que se passava no século VII D.F. (depois de Ford) a ordem em demasia que era o pesadelo. Admirável Mundo Novo denota as apreensões e angústias de uma época em que as transformações eram não somente rápidas, mas também profundas. A obra responde à pergunta que não quer calar "Para onde caminha a humanidade?" Ao contrário de Matrix onde o mundo é governado por máquinas robôs, Admirável Mundo Novo é controlado pelos homens. Ambas as fábulas vivem dentro de uma ordem estabelecida e apontam para uma desumanização dos humanos e a morte do indivíduo. Será que há um limite para o desenvolvimento humano? Será que a humanidade é só um meio para o nascimento de uma inteligência que supere o próprio homem? Será que a vida vai continuar imitando a arte? Será que Nietzsche quando profetizava o nascimento do “além-homem’ já imaginava que um dia a clonagem humana estaria a um passo para acontecer?

“Vós, os homens mais altaneiros que meu olhar alcançou, eis a minha dúvida quanto a vós, e o meu riso secreto: eu adivinho que ao meu super-homem chamarieis-demônio!” (Citação do Zaratustra, parte II, “Da prudência dos homens” da obra Assim falou Zaratustra de F. Nietzche).

domingo, 22 de novembro de 2009

A Máquina do Fim do Mundo


Ontem os jornais divulgaram o retorno do acelerador de partículas LHC (Large Hadron Collider) ou mais conhecido como a “Máquina do Fim do Mundo”. O grande colisor passou por reajustes por 14 meses e na noite do dia 20 de novembro a máquina foi considerada apta para sua principal missão: realizar experimentos sobre a composição da matéria e dar informações sobre a formação do universo.
A circulação de partículas irá começar inicialmente em baixa energia, com 450 GeV (gigaeletrons volts). Depois que os cientistas começarem a injetar feixes em direções opostas, as primeiras colisões começarão a ser produzida nessa velocidade. A potência da circulação de prótons irá aumentar gradativamente e chegar ao momento mais esperado e temido por cientistas: as primeiras colisões de partículas em uma velocidade próxima a da luz. “

Segundo os cientistas, essa velocidade poderá recriar os instantes posteriores ao Big Bang. E isso causa uma contrariedade no Conselho de Direitos Humanos que acredita na possibilidade de um buraco negro aparecer durante a experiência e sugar nosso planeta. Em 2008 escrevi um artigo no antigo Metamorfose Coletiva cuja temática eram os aceleradores de partículas. Segue abaixo o texto:
E no princípio era o Nada
(e continuamos aqui graças a Ele) 27 de Fevereiro de 2008
Metamorfose Coletiva

Em 2003 a análise de dados do satélite-telescópio WMAP leva os cientistas a uma conclusão considerada absurda, porém incontestável: a de que 73% do peso do Universo vem do vazio. E este vazio, de acordo com os físicos, não passa de energia cristalizada que por sua vez não passa de partículas que existiram antes do Big Bang que se acalmaram com o resfriamento do Universo.
De súbito descobrimos que aquilo que considerávamos ausência ou nada, na realidade, é muita coisa, apesar de não poder ser detectado pelos nossos sentidos. Aprendemos que onde não têm mais, só pode ter menos, onde está quente não pode estar frio, o que é concreto não pode ser abstrato. O paradoxo é esculpido entre a intenção de ser e a de não ser. E quando descobrirmos que não existem diferenças ou que as diferenças se originam da mesma raiz ?
O ser humano é um animal racional que tem o privilégio de comparar, escolher, criar e dar ação ao pensamento. Todas nossas escolhas e criações se originam do ato de comparar ou seja: construímos a civilização que conhecemos à base de comparações. Na política, na religião, na matemática, no sexo, nas artes, na guerra, existem lados opostos: lados que, segundo nossa capacidade de distinção, não combinam. E se de um dia para o outro perdêssemos esta capacidade de distinção que adquirimos através das comparações que fizemos durante todo o período de vida? Com certeza, se esta mutação dos conceitos acontecesse em um único período e com uma grande parte da civilização, teríamos uma mudança nunca antes imaginada na economia, as religiões se extinguiriam ou se uniriam, a matemática tomaria um outro rumo e grande parte das diferenças se igualariam.
E porquê se concretizaria uma mudança? Por nada... Isto mesmo! Ou melhor, pelo nada. Já que o nada é um monstro que está adormecido, é preciso acordá-lo. Os físicos já observaram partículas entrando e saindo do vácuo após uma colisão causada por aceleradores de partículas. Através destes aceleradores o nada é acordado aos poucos, no entanto, as conseqüências de acordá-lo por inteiro são ignoradas pela ciência e pelo homem. Poderíamos ser tragados pela energia invisível ou até mesmo sermos transportados para uma dimensão somente descrita nos livros de ficção científica.
Lisa Alves


LHC


Cidadãos contra LHC

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Liberdade versus Sociedade


Sociedade + Controle (Moral/Religião)
Sociedade + Leis (Direito/Deveres)
Sociedade + Mudança (Movimentos Sociais)
Sociedade + Estratificação (Desigualdade)
Sociedade + Pobreza
(Violência)
Sociedade + Desenvolvimento (Avanço/Contradições)

De acordo com o dicionário Michaelis o conceito de liberdade é :
1. Estado de pessoa livre e isenta de restrição externa ou coação física ou moral.
2. Condição do ser que não vive em cativeiro.


É sabido que o ser humano tem uma necessidade de viver em grupo e que muitas das vezes esse agrupamento termina restringindo as liberdades individuais do ser. Freud, por exemplo, considerava o processo civilizatório de um indivíduo totalmente controlador, pois o indivíduo teria que se abdicar de sua liberdade individual e passar a aderir uma liberdade coletiva barganhada de normas sociais reguladoras do comportamento. Seguindo o conceito freudiano pode-se inferir que a liberdade individual prejudica a liberdade coletiva e vice-versa, por isso o ser humano estará sempre em conflito com a civilização, ele sempre reivindicará sua liberdade individual contra a vontade de um grupo já que sua liberdade individual é oposta a liberdade coletiva. Pode ser usado como exemplo disso um hipotético caso de um nudista que saí fora de seu ambiente social, caminha em ambientes sociais não adeptos do nudismo, desrespeita a liberdade coletiva daquele grupo e consequentemente é punido por desrespeitar as normas reguladoras impostas por aquela sociedade. Neste caso podemos excluir da sociedade o primeiro conceito de que liberdade é Estado de pessoa livre e isenta de restrição externa ou coação física ou moral, já que para o nudista evitar uma coação física e moral terá que se abdicar de sua liberdade individual e se adaptar as normas da liberdade coletiva.

A liberdade deve ser analisada de grupo para grupo visto que quando um indivíduo se agrupa precisa passar por um processo de restrição de liberdade individual para não ferir a liberdade coletiva. Há quem diz que o indivíduo socializado é um animal domesticado. O processo de domesticação de um animal selvagem muitas das vezes é feito por métodos de tortura e em ambientes de cativeiro. Se tornou público o caso de animais de circo que são ensinados a obedecer ordens por meios de várias formas de torturas, inclusive o regulamento de alimentos. O indivíduo quando é socializado passa por métodos coercitivos que muitas das vezes são despercebidos pois os processos de tortura são sutis e os ambientes de cativeiro são os seus próprios grupos.

O indivíduo é obrigado a seguir o regulamento para abastecer as suas necessidades básicas de sobrevivência. Por isso o segundo conceito de que a liberdade é “condição do ser que não vive em cativeiro” pode ser descartado da sociedade uma vez que a própria sociedade é um cativeiro e o indivíduo socializado não poderá desfrutar dessa condição.
O indivíduo socializado é limitado por leis, regras, preceitos, doutrinas e a liberdade que ele desfruta é reduzida e protegida pelas mesmas. Um indivíduo que vive em sociedade não tem autonomia de criar suas próprias normas e deve seguir as leis criadas por algum corpo, seja ele político, religioso ou familiar. Imagine uma pessoa em sã consciência anunciando para sua família que decidiu tirar sua própria vida. Consequentemente não terá o consentimento da família e muito menos o da sociedade.

Acredito que a metamorfose coletiva depende muito da evolução individual e para isso é mais que necessário a parte refletir o pensamento livre, o desprendimento da moral, a leis, a equidade e o uso da tecnologia como ferramenta e não como substituição. A parte influenciando o Todo é a liberdade individual pincelando o coletivo. E isso denomina-se: "Reflexão no Casulo".

Lisa Alves