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quinta-feira, 20 de março de 2014

C O R P O │ performance poética

                                 C O R P O │ performance poética from lisaallves on Vimeo.



 a t i v i s m o  n a  r e d e │COMPARTILHE!






Esse vídeo/experimental/performático/ingênuo/amador fiz depois de ler uma matéria de estatísticas sobre feminicídio no Brasil e na Argentina. Já tem alguns meses que "topo" com esse tipo de notícia, já tem alguns anos que "topo" com esse tipo de situação. Algumas semanas atrás "topei" com a segunda parte do filme do Lars Von Trier e percebi as ligações (quem assistiu já entendeu), Lars Von Trier criou uma narrativa que nos leva a um fecho inevitável, o mesmo arquitetado pelo diretor Mohamed Diab em "El Cairo 678", a mesma clássica sugestão da "Lei de Talião". Esses dias fui convidada a escrever um poema sobre o feminicídio na Ciudad de Juarez (México) e fiquei assustada, horrorizada com a pesquisa que fiz, com a histórias de assassinato de mulheres, com essa maldita "cultura" patriarcalista fomentada por poemas de Victor Hugo que insiste em colocar a mulher no altar - um local de respeito ilusório, que vende um arquétipo "perfeito" da mulher pura, santa, frágil, sem desejos e que perdoa qualquer deslize do sexo oposto (inclusive uma boa bofetada ou um chute nos órgãos genitais). Por favor, jamais me presenteie com tal poema que resume a mulher a isso: "O homem é o cérebro;/ A mulher é o coração./ O cérebro fabrica a luz;/ O coração, o AMOR./A luz fecunda, o amor ressuscita./O homem é forte pela razão; A mulher é invencível pelas lágrimas. O homem é capaz de todos os heroísmos;/ A mulher, de todos os martírios./O heroísmo enobrece, o martírio sublima./O homem é um código;/A mulher é um evangelho." Enfim, hoje creio que todos leram a pesquisa do IPEA e se assustaram com o fato do feminicídio ser apoiado pela maioria das mulheres entrevistadas, isso me lembrou também do pensamento de Aldous Huxley "A ditadura perfeita, terá a aparência da democracia, uma prisão sem muros, na qual os prisioneiros nem sonharão sequer com uma fuga. " É imperativo o Feminismo no Mundo.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Cinema, Poesia e Todo Sentimento do Mundo

Eu vejo poesia na arte em movimento e quando vejo espalho e me espelho. Abaixo descrevo essa percepção em três maravilhosos filmes: Histórias que só existem quando lembradas ( Brasil, Argentina, França), A Febre do Rato (Brasil) e E Agora, aonde vamos? (Líbano)




HISTÓRIAS QUE SÓ EXISTEM QUANDO LEMBRADAS (BRASIL, ARGENTINA, FRANÇA)




Jotuomba um lugar onde Thanatos não cruza há muito tempo, uma cidade onde as recorrências são graciosas (quase graças). O cemitério é solo proibido e impenetrável e cada membro do lugar carrega uma missão notável e insubstituível: fazer os pães, moer o café e apreciar as badaladas da Igreja.


O filme é carregado de símbolos não habituais, não há previsibilidade e nem mesmo uma edição que nos furta a liberdade de senti-lo e de disseca-lo. Para um expectador sensível e atento ele se pinta como um poema desses impossibilitados de uma única interpretação.

Cada cena se apresenta como um alvo de uma bela fotografia, cada fiapo, cisco, pedaço, textura e cor devolve a “nós” uma ternura do que foi, do que estava e do que ainda permanece no mundo intocado pelo “nosso mundo”.

Senti uma saborosa nostalgia ao assisti-lo.

Ano: 2011
Gênero: Drama
Diretor: Júlia Murat





A FEBRE DO RATO 
(BRASIL)




A obra dirigida por Cláudio Assis é um filme de linguagem poética, modela os princípios anarquicos e volve-se em uma canção hedonista (sem dogmas e rituais). A estrutura da película é delicada, a fotografia torna-se linguagem e a poesia tonifica o preto e branco ao apontar as mazelas e casulos de uma sociedade destinada à substituição. A alcunha do filme “Febre do rato” é uma expressão peculiar do Nordeste, que representa “estar fora de controle”.

Recomendo aos apaixonados pela poesia e aos desvestidos de pudores.





E AGORA, AONDE VAMOS?
(LÍBANO)
 



" A história que vou contar é para quem quiser ouvir. 
História de gente que jejua e de gente que reza.
 De um povo isolado cercado por minas. 
As mãos manchadas de sangue em nome da cruz e da meia lua.
 E uma longa história, de mulheres vestidas de preto.”
 

Muçulmanos e cristãos convivem em uma miúda aldeia no Líbano, a vida pacifica entre famílias tão diferentes guarda um segredo escondido a setes chaves pelas mulheres do local.

Et maintenant on va où ? (E Agora, Aonde Vamos?) é um filme da diretora e também atriz Nadine Labaki e arrisco julgá-lo como uma obra prima da sétima arte. Em um tempo não apontado a película trata da arte feminina de provocar a paz, são Penélopes que não aguardam seus Ulisses e sim tecem qualquer armadilha para que Ulisses nunca se vá. Matronas, esposas, donzelas que compreenderam que o conflito em nome de seres invisíveis só devolvem a elas filhos, irmãos, noivos e esposos na horizontal. O que mais fez meus olhos brilharem perante essa sublime e emocionante obra foi o comportamento universal dessas figuras femininas a tal ponto que me fizeram teorizar sobre: “o quanto foi mérito da mulher o vingar de nossa espécie?”

Além disso a obra incorporou vários gêneros do cinema tornando-a uma reprodução fidedigna da realidade, pois na vida, como bem sabemos, gememos e gargalhamos.

Garanto que minhas notas do filme não abordam nem dez por cento do que ele de fato expõe.

Faço uma ponte desse filme com a literatura de Cem Anos de Solidão (Gabriel Garcia Marques) e De volta a Istambul (Elif Shafak). 

E Salve as realidades fantásticas!  



domingo, 21 de março de 2010

sábado, 26 de setembro de 2009

Quadro Popular

Assista no Youtube esse video: Violência Urbana



Agourentas cores se manifestaram na geografia local.




Simbólicos gritos eram abafados pela arte do cotidiano.



Um vermelho escaldante tingia vivamente a figura animal.



Era uma das milhares obras feitas naquele ano.



A arte era apreciada por olhos apressados que desmereciam o artista que a realizou.



O quadro transmitia uma reação hipnotizante aos desocupados e uma fuga desesperada naquele que a pintou.




O que é Violência?

Violência e esse sistema permitir que um único individuo possua 10 casas e um estoque de comida em cada uma, enquanto milhões comem sobras e não tem um lugar digno para dormir.

Lisa Alves


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O desemprego, a moradia e a assistência à saúde inadequados contribuem para a violência, especialmente nas áreas de favelas, que estão crescendo em um ritmo alucinante.
De acordo com a ONU-HABITAT, se as tendências atuais continuarem a população mundial das favelas pode passar de pouco mais de 1 bilhão em 2005 para quase 1,5 bilhão até 2020.
Essas condições são freqüentemente exacerbadas pela crescente oferta de drogas e o fácil acesso às armas de pequeno porte, que representam um sério obstáculo ao progresso social e econômico. "
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O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer.
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A violência urbana é determinada por valores sociais, culturais, econômicos, políticos e morais de uma sociedade. No entanto, ela incorpora modelos copiados dos países de maior influência na esfera internacional.
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A violência no Brasil cresce de forma acelerada e sem controle, com cerca de 50 mil brasileiros assassinados todos os anos. Esse número supera o de mortes em países que enfrentam guerras, como o Iraque. Mas o que podemos fazer para mudar isso? O país assiste atônito à escalada do poder e à ousadia do crime organizado, ao mesmo tempo em que se tornam cada vez mais corriqueiros os crimes com motivações pessoais ou sem sentido.
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A primeira vítima da violência é, sem dúvida, a dignidade humana, cujas feridas são menos aparentes, mas não menos profundas.
A violência é um fenômeno muito complexo do universo social e por isso levantamos algumas causas dessa violência, iniciando com as da violência urbana:
1) Falta de uma assistência imediata ao menor abandonado;
2) Falta de uma política de educação integral para todos;
3) Falta de um planejamento familiar;
4) O congestionamento da Justiça Penal de um sem de processos que estão a tomar a atenção, o cuidado e o tempo de toda a engrenagem judicial, em detrimento daquelas hipóteses criminais que merecem a atenção pronta, imediata e eficaz da Justiça Penal;
5) Falta de um Policiamento Ostensivo, com policiais mais bem treinados e instruídos, com salários condizentes;
6) Inchação das grandes cidades;
7) Bolsões de misérias;
8) Uso de drogas licitas e ilícitas;
9) Discriminação racial;
10) Discriminação social

http://www.forumseguranca.org.br





domingo, 16 de agosto de 2009

Control

Dicas de filmes




"Control" (Inglaterra, EUA, 2007).

Eu existo da melhor forma que posso
O passado agora faz parte do meu futuro
O presente está muito fora de controle.”

Ian Curtis (15 de julho de 1956 — 18 de maio de 1980))


Filme baseado no livro “Touching From a Distance” de Deborah Curtis (viúva de Ian Curtis) que conta a trajetória artística e amorosa de Ian Curtis (vocalista da banda Joy Division). Destaque no festival de Cannes por conta da brilhante direção de Anton Corbijn, diretor que já trabalhou com bandas de destaque como Echo and the Bunnymen, Depeche Mode, U2, Nirvana, Travis, Metallica, The Killers e a própria Joy Division.





O filme é um poema melancólico como as letras da Joy Division e profundo como a alma de seu vocalista Ian Curtis. Às vezes apático como a falta de expressão facial de Ian e desesperado como seus movimentos no palco. Filmado em preto e branco as imagens passam a sensação de que você está convidado a ver o mundo da forma que Ian Curtis sentia, percebia e reprovava. Do jovem fantasiado de David Bowie ao homem casado de sentimentos divididos a beira de uma fatal desistência da vida. São 122 minutos misturados de vida pessoal e estréia da Joy Division (banda de rock dos anos 70/80). No entanto o filme é mais focado na vida de Curtis do que na própria banda.

Para quem não conhece a história de Curtis, está aí uma boa oportunidade. E para os fãs um presente in memorian de uma personalidade artística inesquecível.





Poema a Ian Curtis

Enquanto você caminhava em silêncio
Eu nem pensava em existir
No entanto teu pavor estampado nos olhos apáticos
são equivalentes ao meu sorriso de tristeza.
Você buscava controle?
Você gritava sua dor por ninguém conseguir enxergá-la em sua face? Você estava fora de seu tempo?
Sentimentos, isolação, amores, escolhas e dança.
O menino que morreu em 1980
E a menina que nasceu em 1981
E ainda assim vivemos no mesmo mundo, brincando com palavras, sofrendo com palavras e dançando com as letras.
Não descanse, vibre!
No ar ouço Isolation, na terra the eternal, no céu ouvirei você.