por Lisa Alves
A partir da Revolução Industrial e com o surgimento de uma economia capitalista a sociedade global passou a ser doutrinada por uma lógica irreversível de mercado “consumo, logo existo” e a prática dessa doutrina tornou-se incontrolável e nociva ao meio ambiente. A ausência de uma educação ambiental desde o inicio do século XX também propiciou o que atualmente tem-se mais discutido em todas as esferas da sociedade: os impactos ambientais causados pelo modo de consumo dos seres humanos.
Nunca se consumiu tanto quanto hoje e nunca se substituiu tanto um produto pelo outro. A indústria juntamente com a publicidade vende ao consumidor um falso bem estar adquirido com a posse de um novo produto que muitas vezes só se diferencia do produto anterior por mínimos detalhes que serão também superados futuramente por uma nova série – eis a prática da obsolescência programada.
Durante muito tempo houve uma certeza relacionada à eternidade de nossos recursos naturais e um otimismo irracional de que o planeta poderia ser uma grande fábrica capaz de produzir qualquer sonho em forma de produto. Contudo, há pouco tempo diagnosticaram-se as feridas que essas crenças causaram a Terra e os prognósticos começaram a surgir. O planeta não suportará nossos hábitos de consumo. Empresas começaram a mudar praticando o chamado mercado verde: recicláveis, reciclados, sem poluentes e com menos danos ambientais em sua cadeia de produção. No entanto os maiores produtores globais como China e Estados Unidos estão fora dessa mudança ligada à sustentabilidade ambiental e ironicamente são os maiores incentivadores mundiais do consumo de seus produtos.
A grande arma a favor de um mundo com práticas de consumo que não comprometam ainda mais o meio ambiente é a educação ambiental. E esta por sua vez cria uma oposição ferrenha ao lucro das potencias mundiais que doutrinam as sociedades atuais a substituírem desnecessariamente seus produtos, como faz os Estados Unidos da América propagandeando seu modelo de sociedade com o intuito de estimular o consumo dos países subdesenvolvidos e estes caírem na emboscada do consumismo e do descarte, vivendo para trabalhar e consumir os produtos industrializados que só enriquecem cada vez mais uma minoria enquanto mantém a maioria da população mundial em uma situação de escravidão pelo consumo.
Diminuir o consumo é um desafio que o mundo deverá encarar, levando em consideração que fazemos parte de uma geração que se auto-afirma através dos bens que possui e também através da capacidade que cada um tem para adquirir cada vez mais produtos. O desafio é uma besta de sete bilhões de cabeças, bem maior que qualquer quimera apocalíptica e capaz de destruir nosso planeta em um piscar de gerações.


