Conheceis o francês
sabeis dividir,
multiplicar,
declinar com perfeição.
Pois, declinai!
Mas sabeis por acaso
cantar em dueto com os edifícios?
Entendeis por acaso
a linguagem dos bondes?
Minha Universidade - Maiakosvski
sabeis dividir,
multiplicar,
declinar com perfeição.
Pois, declinai!
Mas sabeis por acaso
cantar em dueto com os edifícios?
Entendeis por acaso
a linguagem dos bondes?
Minha Universidade - Maiakosvski
Caminho entre becos, descartei as ruas e as calçadas, já faz um ano que percebi o quanto somos vigiados nos trajetos oficiais. Nos becos tenho a sorte de encontrar aqueles que ainda não foram demarcados e numerados. Nos becos ninguém tem porta numerada – as pessoas moram nas janelas, nos jardins, nas praças, e nas varandas com cheiro de almoço e dejetos de cães. Nos becos vejo sorrisos, poesia itinerante, arte do desapego, música ambiente e muita paixão. Aqui conheci um homem que fazia milagres – curava insanidade com filosofia. Aqui conheci heróis e heroínas, gigantes, mutantes, seres titânicos que mesmo com as ferramentas de trabalho nas mãos se compadeceram com o falecimento de Saramago e sabem muito bem o significado de uma cegueira coletiva. Oh, quanta matéria para o jornal daria a história dos becos! Porém, a prensa da imprensa reza a cartilha do momento e no momento o beco não é a sensação. Melhor que nos deixem mesmo em paz, melhor que não nos industrializem, que não vendam nosso modo de ser e nos deixem sem nada, até sermos obrigados a adotar seus modos de vida de domingo – comendo, bebendo e com medo de correr "risco de vida".






