sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Rawa - Luta contra a violência (mulher vítima de violência no Afeganistão)






 Nessa manhã recebi mais um vídeo do Canal da RAWA com mais um infeliz caso de tortura contra a mulher.


A vítima é Manizha, 20 anos, da área de Moqor do sul da província de Ghazni, que revelou para a  BBC como ela era constantemente torturada pelo marido.



Ela foi mantida no porão de sua casa por semanas, com as mãos e os pés amarrados. Seu marido a acorrentou e  a espancou com paus e chicote.



Manziha acrescenta: "Não há nenhuma parte do meu corpo que não esteja ferida. As unhas das minhas mãos caíram, e os meus pés não têm força para se moverem."


 
A RAWA, Associação Revolucionária das Mulheres do Afeganistão, é a única organização política/social feminista das mulheres afegãs, anti-fundamentalista, que luta pela paz, liberdade, democracia, e pelos direitos das mulheres. 



terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Etnocentrismo no Facebook?




Internautas com perfis no Facebook que usam em seus nomes os termos Guarani Kaiowá são obrigados a retira-los com pena de perder seus perfis. Para começar os administradores do facebook alegam que o usuário deve utilizar o seu nome verdadeiro. Entretanto, até onde sei, o facebook não exige o RG ou qualquer documento de identificação legitima do usuário, logo como eles podem afirmar que não possuo em meu nome o Guarani Kaiowá? Seriam os administradores de tal rede portadores de poderes paranormais? Sem falar que vejo milhares de usuários utilizando pseudônimos e sobrenomes com o nome de suas empresas ou profissão e desde o começo do ano a rede social passou a dar "um limpa" em quem utiliza o nome da tribo de índio que exige o direito oficial às suas terras, desafiando os Senhores e Senhoras do Agronegócio.


Eis aqui um depoimento de alguém que como muitos precisou mudar o seu nome para utilizar a "rede social".


"Me sentia feliz e orgulhosa em assinar o nome Vânia Carvalho Guarani Kaiowá Munduruku Awá no Facebook, uma forma de, publicamente, declarar o apoio aos Povos Indígenas, de demonstrar a indignação com o massacre diário que essas populações vem sofrendo. Uma forma de estar junto, de ampliar, além dos nossos "velhos emails", como diz Tania Pacheco, para nossos amigos e parentes que muitas vezes não tem acesso a informação de qualidade sobre a questão indígena no Brasil, bastante camuflada pela mídia. Quantas vezes choramos juntos os assassinatos de lideranças indígenas, envenenamento das fontes de água, jovens acuados e suicidas, mulheres estupradas...Embora estivéssemos isolados em nossas casas e escritórios. Um dia fiz uma pesquisa no Face e vi Guarani-Kaiowá em todas as cidades do Brasil, pequenas, médias e grandes cidades. Fiquei impressionada com o imenso apoio de milhares de pessoas se importando com uma cultura fundamental pra nós nesse momento de perigo concreto por que passa a humanidade pelo afastamento da natureza....temos que descobrir uma forma de juntar novamente essas pessoas pra aumentar nossa esperança pois desde ontem o Facebook está impedindo as pessoas de permanecerem com sobrenomes indígenas, embora aceite nomes como "bolinha", "machão", "fofinha"...


Quem quiser denunciar a retirada compulsória de seus nomes no Face pode mandar email para:denunciaguaranikaiowa@hotmail.com."


Fonte: http://redeanaamazonia.blogspot.com.br/2013/01/sou-vania-carvalho-guarani-kaiowa.html



Ironicamente há alguns tipos de páginas como essa abaixo (por muitos denunciada) que os Administradores alegaram que não há nada que infrinja a Política do Facebook. Quem puder e tiver estômago confira.






 Click nas imagens para visualizar 


Reforçando à informação da Vânia Carvalho Guarani Kaiowá Munduruku Awá quem quiser denunciar
a retirada compulsória de seus nomes no Face pode mandar email para: denunciaguaranikaiowa@hotmail.com.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A religião e a sua influência na relação Homem e Meio Ambiente.





 
Ser dragão tupi or not tupi,
ser Dragão tão-só,
tão-somente cuspir fogo
como uma entidade intraterrena, de dentro, do submundo:
um vulcão,
um deus de dentro,
Hades desse lado de cá –  Moloch Infernus Br.
Lisa Alves (Deuses Ruminantes na Terra do Sol) 

 






Por Lisa Alves


          Desde o principio da história da humanidade o entendimento com o meio ambiente caracterizou a própria aptidão de sobrevivência da espécie, na medida em que existia uma dependência de nossa parte para se alimentar, se abrigar e se defender de possíveis predadores. Havia uma conexão tão forte com o planeta e seus elementos por nossa parte que criamos, naqueles tempos, uma divinização e veneração pela mãe-natureza.  Exemplo disso está na antiga civilização grega, cuja terra, a mãe-natureza, existia em função de seus filhos, tal como cantava Hesíodo em Teogonia (séc. VIII a.C):



"Gaia de amplos seios, base segura para

sempre oferecida a todos os seres vivos".



Cabia a nossa espécie proteger o planeta, a Grande Mãe, cientes que a sua ruína suscitaria na própria quebra da lógica da vida. E com essa percepção havia uma postura de união com a natureza – a quem careceria preservar, santificar e honrar.

             
           De modo completamente avesso a essa visão de mundo vivenciado pelos  gregos, deparamos  com a  concepção  judaico-cristã  que mirava a Terra  como uma  propriedade dos homens a quem, conforme a Genesis: caberiam dominar os peixes do mar, as aves do céu, os  animais domésticos e subjugar a terra.



"Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.

Tenha ele domínio sobre os animais marinhos, sobre as aves, sobre os animais

domésticos e sobre os répteis. Domine a terra toda!”



"Multipliquem, encham a terra e tenham domínio sobre a terra.

Vocês são os senhores dos peixes, das aves e de todos os animais.”





                O meio ambiente incidiu, portanto, a ser enxergado como um  produto  oferecido aos homens,  e não  uma fonte divina de vida a qual caberia à dedicação filial. Por ser oferta de Deus (o único, residente fora do planeta), a natureza precisaria sustentar os homens e, por sua vez, se submeter aos caprichos humanos. A humanidade poderia explorar livremente os recursos naturais, pois sendo presente divino seriam inesgotáveis. 


           

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Cinema, Poesia e Todo Sentimento do Mundo

Eu vejo poesia na arte em movimento e quando vejo espalho e me espelho. Abaixo descrevo essa percepção em três maravilhosos filmes: Histórias que só existem quando lembradas ( Brasil, Argentina, França), A Febre do Rato (Brasil) e E Agora, aonde vamos? (Líbano)




HISTÓRIAS QUE SÓ EXISTEM QUANDO LEMBRADAS (BRASIL, ARGENTINA, FRANÇA)




Jotuomba um lugar onde Thanatos não cruza há muito tempo, uma cidade onde as recorrências são graciosas (quase graças). O cemitério é solo proibido e impenetrável e cada membro do lugar carrega uma missão notável e insubstituível: fazer os pães, moer o café e apreciar as badaladas da Igreja.


O filme é carregado de símbolos não habituais, não há previsibilidade e nem mesmo uma edição que nos furta a liberdade de senti-lo e de disseca-lo. Para um expectador sensível e atento ele se pinta como um poema desses impossibilitados de uma única interpretação.

Cada cena se apresenta como um alvo de uma bela fotografia, cada fiapo, cisco, pedaço, textura e cor devolve a “nós” uma ternura do que foi, do que estava e do que ainda permanece no mundo intocado pelo “nosso mundo”.

Senti uma saborosa nostalgia ao assisti-lo.

Ano: 2011
Gênero: Drama
Diretor: Júlia Murat





A FEBRE DO RATO 
(BRASIL)




A obra dirigida por Cláudio Assis é um filme de linguagem poética, modela os princípios anarquicos e volve-se em uma canção hedonista (sem dogmas e rituais). A estrutura da película é delicada, a fotografia torna-se linguagem e a poesia tonifica o preto e branco ao apontar as mazelas e casulos de uma sociedade destinada à substituição. A alcunha do filme “Febre do rato” é uma expressão peculiar do Nordeste, que representa “estar fora de controle”.

Recomendo aos apaixonados pela poesia e aos desvestidos de pudores.





E AGORA, AONDE VAMOS?
(LÍBANO)
 



" A história que vou contar é para quem quiser ouvir. 
História de gente que jejua e de gente que reza.
 De um povo isolado cercado por minas. 
As mãos manchadas de sangue em nome da cruz e da meia lua.
 E uma longa história, de mulheres vestidas de preto.”
 

Muçulmanos e cristãos convivem em uma miúda aldeia no Líbano, a vida pacifica entre famílias tão diferentes guarda um segredo escondido a setes chaves pelas mulheres do local.

Et maintenant on va où ? (E Agora, Aonde Vamos?) é um filme da diretora e também atriz Nadine Labaki e arrisco julgá-lo como uma obra prima da sétima arte. Em um tempo não apontado a película trata da arte feminina de provocar a paz, são Penélopes que não aguardam seus Ulisses e sim tecem qualquer armadilha para que Ulisses nunca se vá. Matronas, esposas, donzelas que compreenderam que o conflito em nome de seres invisíveis só devolvem a elas filhos, irmãos, noivos e esposos na horizontal. O que mais fez meus olhos brilharem perante essa sublime e emocionante obra foi o comportamento universal dessas figuras femininas a tal ponto que me fizeram teorizar sobre: “o quanto foi mérito da mulher o vingar de nossa espécie?”

Além disso a obra incorporou vários gêneros do cinema tornando-a uma reprodução fidedigna da realidade, pois na vida, como bem sabemos, gememos e gargalhamos.

Garanto que minhas notas do filme não abordam nem dez por cento do que ele de fato expõe.

Faço uma ponte desse filme com a literatura de Cem Anos de Solidão (Gabriel Garcia Marques) e De volta a Istambul (Elif Shafak). 

E Salve as realidades fantásticas!