domingo, 18 de novembro de 2012

A Crueldade Organizada dentro dos desenhos animados


Da série: Leituras






 Os desenhos animados eram outrora expoentes da fantasia contra o racionalismo. Faziam justiça aos animais e às coisas eletrizadas pela sua técnica, pois, embora os mutilando, lhes conferiam uma segunda vida.



 Agora não fazem mais que confirmar a vitória da razão tecnológica sobre a verdade. Há alguns 20 anos apresentavam ações coerentes que só se resolviam nos últimos instantes no ritmo desenfreado das seqüências finais. O seu desenvolvimento muito se assemelhava ao velho esquema da slapstick comedy (comédia pastelão). Mas agora as relações de tempo foram deslocadas.




Desde a primeira seqüência do desenho animado é anunciado o motivo da ação, com base no qual, durante o seu curso, possa exercitar‐se a destruição: no meio dos aplausos do público, o protagonista é atirado por todas as partes como um trapo. Assim a quantidade de divertimento converte‐se na qualidade da crueldade organizada. Os autodesignados censores da indústria cinematográfica, ligados a esta por uma afinidade eletiva, velam para que a duração do delito prolongado seja um espetáculo divertido. A hilaridade trunca o prazer que poderia resultar, em aparência, da visão do abraço, e transfere a satisfação para o dia do progrom. Se os desenhos animados têm outro efeito além de habituar os sentidos a um novo ritmo, é o de martelar em todos os cérebros a antiga verdade de que o mau trato contínuo, o esfacelamento de toda resistência individual, é a condição da vida nesta sociedade. 






 Pato Donald mostra nos desenhos animados como os infelizes são espancados na realidade, para que os espectadores se habituem com o procedimento.



 (Theodor Adorno - Indústria Cultural e Sociedade -  5ª. Edição (pag 19-20) )

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

domingo, 12 de agosto de 2012

Da Servidão Moderna - O Filme

Michael Vincent Manalo




Capítulo I: Epigrafo 
“Meu otimismo está baseado na certeza que esta civilização vai desmoronar. Meu pessimismo em tudo aquilo que ela faz para arrastar-nos em sua queda.”

Capítulo II: A servidão voluntária
“Que época terrível esta, onde idiotas dirigem cegos.” - William Shakespeare
  
Capítulo III: A organização territorial e o habitat
“O urbanismo é a tomada do meio ambiente natural e humano pelo capitalismo que, ao desenvolver-se em sua lógica de dominação absoluta, refaz a totalidade do espaço como seu próprio cenário.” - Guy Debord, A sociedade do espetáculo
  
Capítulo IV: A mercadoria 
“A primeira vista, a mercadoria parece uma coisa simples, trivial, evidente, porém, analisando-a, vê-se complicada, dotada de sutilezas metafísicas e discussões teológicas.” - O Capital, Karl Marx, capítulo I, livro 4.

 Capítulo V: A Alimentação
“O que vem a ser alimento para um é veneno para o outro.” - Paracelso

Capítulo VI: A destruição do meio ambiente
Que triste é pensar que a Natureza fala e que a espécie humana não a escuta . - Victor Hugo

Capítulo VII: O trabalho
Trabalho, do latin Tripalium, três paus, instrumento de tortura.

Capítulo VIII: A colonização de todos os setores da vida
“é o homem inteiro que é condicionado ao comportamento produtivo pela organização do trabalho, e fora da fábrica ele conserva a mesma pele e a mesma cabeça.” - Christophe Dejours

Capítulo IX: A medicina mercantil 
"A medicina faz-nos morrer mais... "- Plutarco

Capítulo X: A obediência como segunda natureza
“De tanto obedecer, adquirimos reflexos de submissão.” - Anônimo

Capítulo XI: A repressão e a violência 
 “Sob um governo que prende qualquer homem injustamente, o único lugar digno para um homem justo é também a prisão.” - Henry David Thoreau, A desobediência civil

Capítulo XII: o dinheiro
“O que outrora se fazia “por amor a Deus”, hoje se faz por amor do dinheiro, isto é, daquilo que hoje confere o sentimento de poder mais elevado e a boa consciência.” - Aurora, Nietzsche

Capitulo XIII: Não há alternativa na organização social dominante.
Acta est fabula (a peça está representada)

Capítulo XIV: A imagem
E, se não, fica sabendo ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste. - Antigo Testamento, Daniel 3 :18

Capítulo XV: A diversão
“A televisão aliena aos que a vêm, e não aos que a fazem.” - Patrick Poivre d’Arvor

Capítulo XVI: A linguagem 
“Nós acreditamos que dominamos as palavras, mas são as palavras que nos dominam.” - Alain Rey

Capítulo XVII: A ilusão do voto e da democracia parlamentar 
“Votar é abdicar.” - Élisée Reclus

Capítulo XVIII: O sistema mercantil totalitário
“A natureza não criou amos nem escravos, eu não quero dar nem receber leis.”- Denis Diderot

Capítulo XIX: Perspectivas
O poder não é para ser conquistado, ele deve ser destruído.

Capítulo XX: Epílogo

“Cavalheiros, a vida é muito curta… Se nós vivemos, vivemos para andar sobre a cabeça dos reis.”  - William Shakespeare, Henrique IV



Para ler o livro: "Da Servidão Moderna"

Para assistir o filme:


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Sr. Franco Atira Dor ou A Verdadeira História da Bela Adormecida





Ahn Young-joon/AP

"Nossas meninas estão longe daqui
Não temos com quem chorar e nem pra onde ir
Se lembra quando era só brincadeira?
Fingir ser soldado a tarde inteira? "

Soldados - Legião Urbana





Do lado de fora da casa seus filhos brincam de guerra e ele sorri, não por admiração paterna, mas por constatar que nada mudara: eles apenas colocam seus instintos de competição para fora, hoje é apenas uma brincadeira entre eles, amanhã poderão participar de uma guerra cuja brincadeira pertencerá a outros.  

Papai veja o tamanho da minha escopeta!  

Logo o filho mais velho retruca: 

A minha é mais potente do que a dele! 


E no papel de apaziguador de conflitos, desenvolve o seu veredicto


Meninos as duas são grandes e potentes, as chances de ganharem são as mesmas. 

Assim as crianças dão-se por satisfeitas ao saberem que o inimigo não possuí vantagens sobre o outro. O pai sentiu-se mal por iludi-los, mas necessita prepará-los para as falsas verdades do mundo, já que sabe que na vida real serão iludidos da mesma forma. Suas brincadeiras de vida são apenas preparativos para algo que já espera por eles. Lembrou-se de quando era criança e brincava de matar seu melhor amigo com uma espada de plástico e pode sentir mais tarde a mesma sensação da brincadeira quando tirou o melhor amigo de sua convivência. Era como matar de brincadeira, a pessoa física continua caminhando depois, mas em algum momento eles fingem que uma barreira invisível os separou.

Não entende o que leva a vida não ter um final, uma conclusão e algo fixo. Tudo precisa sofrer a presença de surpresas, a humanidade adora isso, é como uma criança que finge que não sabe qual o presente que o Papai Noel deixou ou como alguém que manda flores para si mesmo e emociona-se quando o florista bate à porta. Uma vez conheceu um sujeito que mandava presentes para si mesmo e cada vez que fazia isso inventava um remetente diferente observando a forma que o sujeito encontrou para driblar um cotidiano morno e sem emoções percebeu que todos ao seu redor faziam o mesmo e tudo isso não passava de uma brincadeira que envolvia o comprometimento de toda à humanidade: a brincadeira de matar a mesmice. Ela funcionava assim: todos fingiam que as formas, palavras, sentimentos, pessoas, objetos, atitudes eram novos e criavam palavras chaves para a brincadeira funcionar (a última sensação do momento, a nova criação, a nova era, a moda atual, o novo estilo de vida, a mulher moderna, a era tecnológica, transgênicos, doenças contemporâneas, gênoma humano, sexo virtual, nanotecnologia...), palavras que abrem as portas de uma fantasia mascarada de realidade. Palavras que se ritualizam inconscientemente na mente humana e contribuem para a transformação do velho no novo, do passado no presente e o surgimento do previsível.

Lá fora as crianças continuam a brincadeira de guerra e lá dentro ele morre aos pouquinhos como se nunca tivesse morrido aos pouquinhos antes. Cumpre o seu papel como a maioria que ele tanto subestima. A única diferença é que ele não está acordado para ver e nem para se negar a brincar.

sábado, 23 de junho de 2012

Mulheres do Cinema - uma Ponte com a Filosofia

por Lisa Alves


  TELMA E LOUISE

"Um homem não pode ser mais homem do que os outros, porque a liberdade é igualmente infinita em todos." 

Jean-Paul Sartre



 MARY GRIFFITH (Orações para Bobby)

"As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras." 

Nietzsche




 A personagem sem nome de Charlotte Gainsbourg. (ANTICRISTO)

“O castigo como meio de redimir-se para com a pessoa prejudicada e sob uma forma qualquer (por exemplo, uma compensação em forma de dor).” 


Nietzsche - in Genealogia da Moral




 SELINA KYLE vulgo Mulher Gato (Batman – O Retorno, 1992)


“ Eu existo fora de mim, e por toda parte do mundo não há uma polegada sequer de meu caminho que não se insinue num caminho alheio. (...) A moral da ambigüidade será uma moral que recuse negar a priori que existentes separados possam ao mesmo tempo estar ligados entre si, que suas liberdades singulares possam forjar leis válidas para todos.” - 


Simone de Beauvoir




GRACE MARGARET MULLIGAN (DOGVILLE)

“Esse espaço fechado, recortado, vigiado em todos os seus pontos, onde os indivíduos
estão inseridos num lugar fixo, onde os menores movimentos são controlados, onde
todos os acontecimentos são registrados, (...) onde o poder é exercido sem divisão,
segundo uma figura hierárquica contínua, onde cada indivíduo é continuamente
localizado, examinado e distribuído… A ordem (…) prescreve a cada um seu lugar, a
cada um seu corpo, a cada um sua doença e sua morte, a cada um seu bem por meio de
um poder onipresente e onisciente (...) até a determinação final do indivíduo, do que o
caracteriza, do que lhe pertence, do que lhe acontece...” 


Foucault





 BEATRIX KIDDO (Kill Bill)

"O senso primitivo do justo — notadamente constante de diversas culturas antigas a instituições modernas — começa com a noção de que a vida humana é uma coisa vulnerável, uma coisa que pode ser invadida, ferida, violada de diversas maneiras pelas açoes de outros. Para esta penetração, a única cura que parece apropriada é a contrainvasão, igualmente deliberada, igualmente grave. E para equilibrar a balança verdadeiramente, a retribuição deve ser exatamente, estritamente proporcional à violação original. Ela difere da ação original apenas na sequência temporal e no fato de que é a sua resposta em vez da ação original — um fato freqüentemente obscurecido se há uma longa sequência de ações e contra-ações". 


Martha Craven Nussbaum




 
HANNA SCHMITZ  (O Leitor)

A ignorância é vizinha da maldade”. 

Provérbio árabe




AILEEN WUORNOS ( Monster – desejo assassino)

"Eu era uma criança, esse monstro que os adultos fabricam com as suas mágoas." 

Jean-Paul Sartre




terça-feira, 10 de abril de 2012

Debate de Noam Chomsky com Michel Foucault


“A verdadeira tarefa política, em uma sociedade como a nossa é criticar o jogo das instituições aparentemente neutras e independentes; criticá-las e atacá-las de tal maneira que a violência politica que se exerce obscuramente nelas, seja desmascarada e se possa lutar contra elas.” Michel Foucault


 “Um sistema federativo, descentralizado de associações livres, incorporando o econômico assim como outras instituições sociais, é o que me refiro como anarco-sindicalismo. “ Noam Chomsky



“É muito dificil definir a natureza humana e corremos o risco de incorrer em um erro como Mao Tse-Tung que  falava de natureza humana burguesa  e de natureza humana proletária, e considerava que eram tipos diferentes de natureza humana.”  Michel Foucault


“Nosso conceito de natureza humana é certamente limitado, parcial, condicionado socialmente, restrito por nossos defeitos de caráter e limitações da cultura intelectual na qual existimos.” Noam Chomsky