quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

CARTA A MARTIN LUTHER KING



Lisa Alves

Assim como você eu também tenho um sonho, Sr King. Sonho com um mundo que nenhum ser humano tenha que viver na miséria ou tenha que sofrer humilhações diárias e pagar pena de vida. Dias atrás ao adormecer eu sonhei que Selma era aqui no Brasil – mais precisamente no Rio de Janeiro (nos morros) onde a maioria da classe trabalhadora vive. Aqui Sr. King, ou melhor, lá nos morros, a luta é cotidiana e o sangue tinge o asfalto diariamente. O governo federal e estadual, Sr King, acredita que o crime é um problema de segurança pública, ou seja, Sr King, ninguém tem a decência de falar sobre a raiz chamada desigualdade social e muito menos sobre a mesma ser consequência de um único cidadão ter uma fortuna capaz de comprar um Estado enquanto milhões sobrevivem com um salário mínimo que mal paga a comida do mês. Como você bem deve saber, Sr King, onde há miséria há crime e o primeiro crime já principia pela miséria – e esse primeiro é um crime social, um crime praticado por várias mãos. Voltando, Sr King, os governos daqui não investem em educação e cultura, tudo que é público foi feito para não funcionar e inclusive, Sr King, servem de propaganda gratuita para o setor privado. O cidadão que tem dinheiro, além de pagar impostos, paga uma segunda vez para ter saúde de qualidade, educação de qualidade e morar em um local com segurança privada. E os que não podem, Sr King? Desde que nasci ouço um velho ditado popular brasileiro que é o seguinte: “quem pode, pode e quem não pode se sacode”. Mas aqui a gente se “fode” mesmo. Além desse classicismo no Brasil, Sr King, nós também temos campos de concentração, só que eufemisticamente denominamos de sistema prisional. Ninguém liga, ninguém se assombra, mesmo tendo consciência que as pessoas que entram para o cárcere tenderão a saírem um dia piores: com ódio, com sentimento de vingança, pois nem o gado confinado no Brasil é tratado de forma tão desumanizada.
E o que você tem a ver com isso, Sr King? Para explicar vou voltar ao sonho que tive: sonhei que o senhor estava aqui no Brasil, ainda era vivo e continuava na luta por direitos e oportunidades iguais para todos e em uma de suas aparições públicas o senhor convocou todos os cidadãos que não concordavam com as Forças de Pacificação para subirem a “Selma” (aos morros) e ocuparem até que os governos resolvessem retirar os militares e no lugar da pólvora criar Casas de Cultura (com cinema, teatro e bibliotecas), Escolas de Tempo Integral, Centros Esportivos, Hospitais e instituíssem o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF). Foi lindo, Sr King, foi um lindo sonho e eu vi vários artistas, escritores, professores, ativistas, estudantes e figuras públicas subirem para as comunidades e montarem o maior acampamento que já existiu nessa terrinha. Foi lindo de ser ver, Sr King.
Não consegui ver o final desse sonho, mas como você pode notar eu também tenho um sonho, aliás, tenho vários e esse foi só o começo de um.

Assistam:

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Cadê a água? O Boi bebeu

Imagem: Agência Nacional de Águas (ANA) da página do PSTU
Lisa Alves

Se não boicotarmos a Indústria e o Agronegócio em breve ficaremos para sempre sem água. Nos tornamos a lavoura e o pasto do mundo. Mais de 80% da carne e dos produtos produzidos no Brasil são para exportação e pouco menos de 20% do que se produz vai para a casa do cidadão brasileiro. Contudo sempre surge aquele argumento: "Mas isso gera renda, trabalho e impostos que são revestidos em serviços públicos." Retirando todo o meu argumento sobre sonegação de impostos, empresas multinacionais utilizarei um só: Ok, mas não teremos água por muito tempo se isso continuar. Para tanta produção não há tempo suficiente para repor a água. Para quem não sabe sou graduada na área ambiental e uma das matérias que mais me chamou a atenção foi justamente "O ciclo da água". Dentro do processo de precipitação e evaporatranspiração há uma elemento chave que são as árvores. As árvores são verdadeiras bombas de água que absorvem a água infiltrada no subsolo e lançam para a atmosfera e esse processo é infinito. Nos últimos anos o desmatamento em nosso território, principalmente na Amazônia, saiu de controle e o reflorestamento em alguns pontos é inútil, pois dentro dos processos da natureza a biomassa é importantíssima e sementes e brotos não cumprem o papel de uma árvore centenária, quem compreende a biodiversidade sabe do que falo e o quanto é grave o desmatamento para todos os sistemas da natureza. 


Leiam um trecho do panfleto escrito por Bill Mollison em 1981:

O que está havendo com as florestas? Nós usamos muito das florestas de uma forma banal: para produzir papel, particularmente para jornal. A demanda tornou-se excessiva. No presente, cortam-se um milhão de hectares a mais do que se planta. Mas isso pode mudar em qualquer mês: no mês passado, por exemplo, a quantidade de árvores cortadas foi o dobro do normal, devido ao desmatamento do baixo Mississipi para introdução de campos de soja. De toda a cobertura de florestas que já houve, não resta mais que 2% na Europa. Eu não creio que haja uma árvore na Europa que não esteja lá somente por causa da tolerância do homem, ou que não tenha sido plantada por alguém. Não há florestas nativas na Europa. E só restam cerca de 8% de matas nativas na América do Sul, e em todo lugar onde multinacionais possam obter possessão de áreas florestais.


A hora é agora!

Conheçam a Permarcultura


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Potencial de energia solar no Brasil


por Lisa Alves 


    O Brasil necessita expandir sua oferta de energia, contudo este procedimento estratégico deve ser adjunto ao desenvolvimento social, econômico e ambiental. As fontes renováveis de energia que fazem parte da matriz energética brasileira alcançam um ideal de desenvolvimento sustentável, todavia o implante dessas fontes é sabotado pela política de suprimento de energia de forma centralizada. Conforme informações do site Portal Energia (2011) a energia solar é efetiva em locais apartados ou de complicado ingresso, pois sua instalação em ínfima escala não requer gastos em amplas linhas de transmissão. Em países tropicais, como o Brasil, a aplicação da energia solar é recomendável em praticamente todo o território, e, em locais distantes dos centros de produção energética seu uso contribui na diminuição da busca energética e consequentemente evita a perda de energia que adviria na transmissão.


            O presente mostra os conflitos sociais e ambientais causados no Brasil através de novas construções de barragens, como Belo Monte, por exemplo. Pensar em uma matriz energética menos causadora de impactos, evitaria conflitos e impactos materiais, culturais e ambientais. Em pleno século XXI o Brasil ainda apresenta áreas sem nenhum tipo de fornecimento energético. Problema que ocasiona a migração de milhares de pessoas para as cidades a procura de emprego, ocasionando o crescimento desordenado das cidades, desemprego, submoradias e impactos ambientais.  E agora com a escassez de água já deveríamos ter projetos aprovados para o uso dessa fonte.



                O Brasil, por ser um país circunscrito em sua maior parte na região intertropical, tem amplo potencial de energia solar durante os seus doze meses anuais. De acordo com informações da Agência FAPESP (2009) o Brasil tem uma competência de geração de energia solar de 200 a 250 watts por metro quadrado, o que é classificado pela agência como um potencial muito superior. Além disso, a agência informa que o Brasil tem o dobro dos níveis de insolação de países europeus como a Alemanha, país esse que domina o maior mercado mundial por gerar mais de 40% de sua eletricidade através de fontes fotovoltaicas. Para o Brasil, as chances nesse setor são promissoras, mas para isso é necessário um grande investimento na capacitação tecnológica e industrial.

            Vantagens: a energia solar é uma energia limpa, ou seja, não polui durante seu uso. As centrais carecem de manutenção mínima. Os painéis solares evoluem rápido, estão cada vez mais potentes, ao mesmo tempo em que seu preço vem decaindo. É um tipo de energia excelente para lugares distantes ou de difícil acesso, pois sua instalação em pequena escala não sujeita a enormes gastos em linhas de transmissão. (PORTAL ENERGIA, 2011)
            
               Segundo Oliva et al (1996) e Faria (2004), a sociedade como um todo se beneficia com a implantação de sistemas fotovoltaicos como alternativa de energia pois:
   
    há o aproveitamento da energia solar, que é uma fonte gratuita de energia, abundante e não poluente; há a contribuição para a preservação do meio ambiente por conservar a energia elétrica, o que pode levar à redução da necessidade de construção de obras de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, que causam impactos ambientais; contribui para a redução das dificuldades para o suprimento de energia e de potência que eventualmente venham a ocorrer no sistema elétrico nacional nos próximos anos e para a diversificação da matriz energética; promove a redução da emissão de gases do efeito estufa e outros poluentes e cria empregos locais diretos e indiretos.

            Desvantagens: as formas de armazenamento da energia solar têm pouca eficiência quando confrontadas aos combustíveis fósseis e a energia hidrelétrica. Outro fator desvantajoso é o rendimento de apenas 25%. (Portal Energia, 2011) Não obstante, os impactos ambientais causados pelas hidrelétricas são em montante superiores as desvantagens na utilização da energia solar. Segundo Leite (2005) a locação de hidrelétricas pode provocar impactos ambientais no clima modificando a temperatura, a umidade relativa, a evaporação, a precipitação e os ventos. 


As energias renováveis, como a energia solar, surgem como resistência a um modelo globalizado que considera mais viável qualquer fonte de energia que possua maior potencial energético e lucrativo e com isso desconsidera os impactos ambientais que aquela matriz energética poderá causar. Todavia, o emprego de sistemas de energia solar ainda está sujeito ao implante de ações de incentivo que auxiliem a superar os obstáculos técnicos, econômicos e de mercado existentes. Algumas medidas já auxiliariam nesse tipo de substituição de matriz energética como: a mudança no código de construção civil, divulgação da tecnologia, cursos de capacitação, pesquisa, metas ambientais e incentivos fiscais para grandes empreendimentos que adotassem esse tipo de fonte energética. Lembrando que a utilização de energia em uma economia capitalista está fortemente associada a um conjunto de questões: incluindo a mitigação da pobreza, o crescimento populacional ordenado, o nível de urbanização, industrialização, saúde, educação, inclusão social e prosperidade econômica da região. Uma comunidade isolada e sem recursos energéticos está condenada ao  êxodo. 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

QUEM O ESTADO HOMOFÓBICO MATOU HOJE? QUEM O ESTADO RACISTA MATOU HOJE?

Justiça para Todos os Joãos, Marias, Marias-Joãos, Joãos-Marias



"Não existe, não pode existir Estado sem religião.  
Assim, todas as vezes que um chefe do Estado fala de Deus,
 quer seja o imperador da Alemanha ou o presidente de uma 
república qualquer, estai certo de que ele se prepara para
 tosquiar de novo seu povo-rebanho." Bakunin 


por Lisa Alves

Do que adianta tanta evolução tecnológica e científica se o ser humano ainda insiste em viver como um animal cercado por doutrinas, um animal que vangloria sua miopia e sobrevive de empáfias: “somos melhores que os negros”, “somos melhores que as mulheres”, “somos melhores que os gays” “somos melhores que os imigrantes”. Devemos acordar para a realidade: a única espécie nociva ao planeta Terra é a espécie humana. Nossa espécie só é melhor em destruir, somos os decompositores dessa orbe, essa é a nossa função e não somos melhores que nenhum de nossa própria espécie por conta de mais ou menos pigmentação na pele ou porque fulano dorme com fulana no lugar de dormir com fulano. Em um mundo de sete bilhões de pessoas e onde grande parte morre nesse segundo por uma epidemia genocida no continente africano (que lembra os objetivos eugenistas do Terceiro Reich) e outras tantas por descaso, falta de empatia (empatia é se colocar no lugar do outro), diante de tanto abandono e “guerras frias” a última preocupação que devemos ter é a de obrigar o ser humano a se reproduzir. Você é um dos que se preocupa se Maria casou com Maria e não está cumprindo sua função de suporte para outra vida? Então vá ao orfanato mais próximo e dê dignidade a pelo menos uma criança cujos pais ou mães (héteros) não tiveram condição de dar. Pois cumprir uma gestação de nove meses não garante a vida de ninguém, viver é um verbo contínuo e esse verbo precisa de alimentação, saúde, moradia, cultura, liberdade, educação. Todos os dias tenho a infelicidade de abrir minha janela virtual e dar de cara com mais uma notícia de alguém que morreu por causa da homofobia, da transfobia e afins. Todos os dias também leio alguma notícia de algum religioso dito “cristão” fomentando o ódio contra a comunidade LGBTTT, fomentando o ódio contra outras religiões, contra os direitos humanos e pior eles são acobertados pelo Estado, o único que poderia dar um fim a isso. Ninguém deve ser punido por praticar seus ritos, desde que seus ritos não punam outras vidas, não fomentem ódio, discriminação e violência. A própria bíblia seguida por esses “cristãos” diz:
“se, todavia, fazeis acepção de pessoas cometeis pecado, sendo argüido pela lei como transgressores”, Tg. 2:9.
O que prova que esses ditos donos da verdade não lêem a própria “lei maior” deles e sim buscam mediadores que utilizam apenas o que é conveniente. Mal sabem que Davi teve um relacionamento homoafetivo e isso não é especulação, está lá, no livro de Samuel:
"a alma de Jonatas se ligou com a alma de Davi; e Jonatas o amou, como à sua própria alma"13
"E Saul naquele dia o tomou, e não lhe permitiu que voltasse para casa de seu pai. 3 E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma. 4 E Jônatas se despojou da capa que trazia sobre si, e a deu a Davi, como também as suas vestes, até a sua espada, e o seu arco, e o seu cinto."14
(…)
"E, indo-se o moço, levantou-se Davi do lado do sul, e lançou-se sobre o seu rosto em terra, e inclinou-se três vezes; e beijaram-se um ao outro, e choraram juntos, mas Davi chorou muito mais."15
(…)
"Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; quão amabilíssimo me eras! Mais maravilhoso me era o teu amor do que o amor das mulheres."16
Recomendo que pesquisem a importância desse personagem para o mundo judaico-cristão e sintam a maior contradição da "História" se é que esse livro todo não passa de uma mitologia monoteísta.
E sim há passagens que condenam as práticas homossexuais, assim como condenam os divorciados, os ostentadores, as mulheres que lecionam e catequizam, as mulheres que usam jóias e são vaidosas, as mulheres por apenas serem mulheres.
O cristianismo se espalhou pelo o mundo com o intuito de extinguir tudo que lembrasse o “mundo antigo”: o politeísmo, a cultura popular dos povos (como as festas estacionais), a forma como as pessoas se relacionavam, se vestiam. Na Roma e Grécia antigas um homem de poder só iniciava sua vida sexual com outro homem (digo "homem de poder" pois a História não fala sobre os homens comuns). Há várias passagens históricas contando sobre a vida intima dos Césares.
Mas não vemos nenhum pastor falando, por exemplo, que quer curar um divorciado, um consumista, um rico. Contudo na Bíblia encontramos passagens que poderiam ser usadas contra o discurso da prosperidade material utilizado em várias Igrejas evangélicas (lembrando que a interpretação é superficial, assim como eles utilizam a interpretação superficial para condenar o que querem, sem levar em consideração o contexto histórico).
Tomemos um exemplo da Bíblia. Em três dos Evangelhos – Mateus 19:24, Marcos 10:25 e Lucas 18:25 – Jesus diz:
“É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus.”
Logo, ninguém com muito dinheiro jamais poderá entrar no paraíso, posto que nenhum camelo jamais irá passar através do buraco de uma agulha. Pelo menos é isso o que a passagem nos indica.
Da mesma forma essa mesma Bíblia legitima a escravidão nos seguintes livros e capítulos: Efésios 6:5-9; Colossenses 3:22-4:1; 1 Timóteo 6:1-2; 1 Pedro 2:18.
A liberdade ao culto religioso pode ser uma desculpa de atos de escravidão humana também, se o Estado libera uma situação como “curar os gays” ou até mesmo não pune um pastor que aconselha abertamente os seus membros a não se casarem com mulheres de outras etnias, esse Estado dá vazão a atos de escravidão e genocídios.
E não esqueçam: João Antonio Donati (recentemente assassinado no estado de Goias) e todas as outras vítimas de etnocídio, feminicídio e intolerância religiosa também foram assassinadas pelo Estado que de Laico não têm absolutamente nada, nosso Estado não passa é de um ser Lacaio.


Leia também: http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/09/jovem-gay-e-brutalmente-assassinado-em-goiania/

terça-feira, 15 de julho de 2014

A COPA DAS COPAS (pelas bênçãos de Eike Batista e da Coca Cola )




O documentário Domínio Público mostra as articulações por trás do projeto UPPs: a estratégia de Eike Batista, da FIFA, das multinacionais, dos governos estaduais e o governo federal em nome da rotulada especulação imobiliária da “Paz” . A ideia não é devolver a cidadania aos moradores das comunidades e sim entregar o poder aos militares, aumentar taxas de serviços básicos até chegar o dia em que a própria população emigrará por não dar conta de sobreviver nos locais e assim estrangeiros e o empresariado tomarão conta desses pontos estratégicos.


quinta-feira, 20 de março de 2014

C O R P O │ performance poética

                                 C O R P O │ performance poética from lisaallves on Vimeo.



 a t i v i s m o  n a  r e d e │COMPARTILHE!






Esse vídeo/experimental/performático/ingênuo/amador fiz depois de ler uma matéria de estatísticas sobre feminicídio no Brasil e na Argentina. Já tem alguns meses que "topo" com esse tipo de notícia, já tem alguns anos que "topo" com esse tipo de situação. Algumas semanas atrás "topei" com a segunda parte do filme do Lars Von Trier e percebi as ligações (quem assistiu já entendeu), Lars Von Trier criou uma narrativa que nos leva a um fecho inevitável, o mesmo arquitetado pelo diretor Mohamed Diab em "El Cairo 678", a mesma clássica sugestão da "Lei de Talião". Esses dias fui convidada a escrever um poema sobre o feminicídio na Ciudad de Juarez (México) e fiquei assustada, horrorizada com a pesquisa que fiz, com a histórias de assassinato de mulheres, com essa maldita "cultura" patriarcalista fomentada por poemas de Victor Hugo que insiste em colocar a mulher no altar - um local de respeito ilusório, que vende um arquétipo "perfeito" da mulher pura, santa, frágil, sem desejos e que perdoa qualquer deslize do sexo oposto (inclusive uma boa bofetada ou um chute nos órgãos genitais). Por favor, jamais me presenteie com tal poema que resume a mulher a isso: "O homem é o cérebro;/ A mulher é o coração./ O cérebro fabrica a luz;/ O coração, o AMOR./A luz fecunda, o amor ressuscita./O homem é forte pela razão; A mulher é invencível pelas lágrimas. O homem é capaz de todos os heroísmos;/ A mulher, de todos os martírios./O heroísmo enobrece, o martírio sublima./O homem é um código;/A mulher é um evangelho." Enfim, hoje creio que todos leram a pesquisa do IPEA e se assustaram com o fato do feminicídio ser apoiado pela maioria das mulheres entrevistadas, isso me lembrou também do pensamento de Aldous Huxley "A ditadura perfeita, terá a aparência da democracia, uma prisão sem muros, na qual os prisioneiros nem sonharão sequer com uma fuga. " É imperativo o Feminismo no Mundo.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O Brado Coletivo dos Trópicos (em vídeo)






O Brado Coletivo dos Trópicos - texto completo aqui:

http://www.midiaindependente.org/pt/r...




texto: Lisa Alves - http://metamorfosecoletiva.blogspot.c...
seleção e edição de imagens: Juliana Botão
voz: Luther Blissett
edição de video: Lisa Alves

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Faces do Anarquismo









Exponho abaixo algumas vertentes do anarquismo com o objetivo de clarear as idéias de quem associa a linha anarquista apenas com o liberalismo econômico e o fascismo das politicas direitistas.

Anarco-individualismo

Inspirado nas idéias do alemão Max Stirner "A única regra sou eu". Considerado o lado egoísta do anarquismo, pois prega contra tudo o que possa contrariar a vontade do individuo, além de pregar contra vínculos, regras e moral. 

Atualmente essa linha pode ser encontrada nos livros de auto-ajuda que propagam idéias como:  "Você pode vencer.", "Suba sozinho", "Domine o Mercado"

Pesquise: Max Stirner 

Anarco-capitalismo

Também conhecido por libertarianismo. Seus apreciadores odeiam o Estado, mas são a favor da propriedade privada. 

Atualmente encontramos essa linha na terceirização de serviços e fundações como a de Bill Gates que doam alguns milhões para combater epidemias. 

Pesquise: Ludwig von Mises

Anarco-federalismo

É a ideia de de auto-gestão e coletivismo das associações operárias.

Atualmente encontramos essa linha em iniciativas como Creative Commons, Wikipedia, CMI (Centro de Mídia Independente), onde pessoas do mundo todo compartilham informações e também aprimoram os trabalhos de forma coletiva.

Pesquise: Joseph Proudhon

Anarco-Sindicalismo

É o seguimento que vê no sindicato o principal instrumento de luta anarquista.

Atualmente a força sindical caiu nos vícios dos partidos (como alertou Malatesta) ou simplesmente são presididos pelos próprios empresários da categoria.

Pesquise: Federica Montseny

Anarco-Comunismo

"Indivíduos acima de tudo" e a economia coletivizada.
Essa visão  floresceu em fábricas e cooperativas onde a figura do patrão nem do empregado existiam. 

Pesquise: Bakunin e Kropotkyn

Anarquia-revolucionária

É a propaganda pela ação, como dizia Kropotkyn: "um ato vale mais que 1000 planfletos"

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O Brado Coletivo dos Trópicos

Foto: Juliana Botão



por Lisa Alves

Nos últimos dias o Brasil tem experimentado a ação das reuniões coletivas unicamente vistas anteriormente nas aglomerações festivas e esportivas que se volveram em um símbolo de uma nação tupiniquim. O alegre e hospitaleiro Homem Cordial”, de Sérgio Buarque de Hollanda, como em um surto psicótico foi tomado de ódio e voz. De uma miúda manifestação reivindicando contra o aumento na tarifa do transporte coletivo ao grito em coro de cidadãos aparentemente sem bandeiras sobre múltiplas causas que navegam em mares da possibilidade e do equívoco. As disputas por uma liderança nas manifestações fizeram-se notadas em todos os tabloides quando a cada dia surgia uma nova testa jovem guiando algum movimento de alcunhas distintas: do conhecido "Movimento Passe Livre" aos até então sem vozes como o "Juntos" e o denominado "Marcha do Vinagre" florescido no calor dos acontecimentos e como resposta ao Estado gerador de abusos por meio da força policial.  O mundo ampliou suas lentes às manifestações que de pacíficas passaram ao ato de agredir coisas e instituições financeiras como os Bancos e Lojas e se alargaram a luta entre militares e civis. No último dia vinte de junho mais de um milhão de brasileiros tomaram as ruas e o descontrole se apoderou de algumas cidades onde o coro dos descontentes movimentos sociais se uniu à vingança descomprometida de supostas facções e infiltrados. Compreender as ações que desviaram o objetivo dos manifestantes tornou-se tarefa árdua e pauta de fóruns nas redes sociais“Seriam militares disfarçados provocando a desmoralização dos movimentos?”, “Seria uma intenção de Golpe?”, “Seria a extrema direita desviando as pautas?” ou “Seria o ódio inflamado das massas que se recusam a serem menores do que coisas de vidro e concreto?”. 

Contudo é preciso fazer uma leitura mais madura dessas manifestações e menos apaixonada no sentido de não nos limitarmos às mágoas em nome de líderes-heróis. Sim é preciso reconhecer o mérito, já que é bem clara a mudança de consciência do nosso povo desde o ano em que Lula assumiu a presidência e mudou o rumo histórico de um Brasil que até então não possuía grandes estatísticas de mobilidade social. A esquerda provou que dez anos valeram por todos os outros e por isso não podemos ser ingratos, pois se o Brasil está mudando a semente foi plantada também pelo cara que dizia incendiado: “Companheiros e Companheiras...” Apesar disso é momento de se pensar no coletivo sem os signos e cores ideológicas que têm nos afastado. Vivemos uma apartheid social que se revela geograficamente – O Brasil do Sul e Sudeste não é o Brasil do Norte e Nordeste.

A violência focada nas manifestações é tão relativa quanto o tempo, mas esse (o tempo) já nos revelou que a violência verdadeira está presente nas filas largas dos hospitais, está presente no sistema carcerário (que deveria ser um sistema de reabilitação social e não uma escola de geração de ódio e mais violência), está presente na educação pública que carece de atenção e um ensino que provoque no ser mais paixão e valorização pela sabedoria, está presente na falha da saúde pública que serve de publicidade gratuita aos planos de saúde, está presente na insegurança pública que como na saúde fomenta novos gastos em seguros e mais seguros, está na presente na impunidade relativa a corrupção, está presente na indiferença do Estado relacionada às prioridades das regiões que vivem em períodos extensivos de seca, está presente nas comunidades indígenas e quilombolas que são dizimadas por interesses capitalistas e pela santíssima trindade desde os tempos da colonização, está presente no controle imobiliário que obriga as pessoas a sustentarem um setor que pela lógica da equidade nunca deveria ter existido, está presente na diversidade sexual que não tem sido respeitada quando é obrigada a ingerir religiosos achatando direitos conquistados e rebolando na Constituição quando assumem funções que enevoam o Estado Laico e ainda por cima querem volver o corpo da mulher em um território regido por leis que só servem para potencializar a desigualdade entre os gêneros. 

Bakunin através de sua teoria anarquista defendia a utilização da violência para provocar transformações na sociedade e estabelecer relações mais justas entre os homens. Além dele praticamente todos os anarquistas socialistas libertários alertavam sobre a necessidade do recurso de violência como legítima defesa à violência do Estado. E se formos sinceros e justos perceberemos que o vandalismo causado nas últimas manifestações é um cisco comparado à violência que o Estado nos sujeita – da ausência de serviços básicos para a manutenção da vida aos campos de concentração denominados por Sistema Prisional. Será que depois de explanar tudo isso as manifestações ainda são incompreensíveis, mesmo quando violentas e desordenadas?  A regressão dos nossos Direitos Humanos é motivo de piada, jogaram uma comissão tão importante nas mãos de pessoas que tomam a bíblia cristã por Constituição Máxima. Isso sim é um ato violento e opressor! É por isso e por tantas outras contradições que o povo não compreende o papel dos Poderes. É por isso é por tantas “cegueiras” e “joãos sem braços” que a população está com ódio desses representantes que só se curvam a vontade do coletivo em suas campanhas eleitorais. Enquanto escrevo esse texto meus vizinhos gritam “Gol” e eu penso em desistir e tacar um “Foda-se” a tudo isso, mas eu não sou assim e anseio por um Brasil melhor: um Brasil com reforma agrária, um Brasil sem preconceitos, um Brasil sem fome e miséria, um Brasil ecologicamente equilibrado. Utopia?  Não, não é! Isso é executável, isso pode ser realidade, mas antes vamos ter que quebrar muitas coisas, começando pelo medo de lutar e de nos politizar. O Homem é um animal político nos afirmou Aristóteles e política é a arte ou ciência da organização, direção e administração, continuar cedendo essa capacidade a outrem e legitimar todas essas mazelas que amargamente digerimos. Vamos primeiramente lutar por uma democracia participativa, onde qualquer lei tenha que passar pela aprovação coletiva antes de ser levada para votação nas câmaras municipais, estaduais, distritais e federais. Segundo Wisconsin, sobre a obra “O lucro ou as pessoas?” de Noam Chomsky,  para que a democracia seja efetiva é

necessário que as pessoas se sintam ligadas aos seus concidadãos e que essa ligação se manifeste por meio de um conjunto de organizações e instituições extra-mercado. A democracia neoliberal, com sua ideia de mercado über alles, nunca tem em mira esse setor. Em vez de cidadãos, ela produz consumidores. Em vez de comunidades, produz shopping centers. O que sobra é uma sociedade atomizada, de pessoas sem compromisso, desmoralizadas e socialmente impotentes.  Em suma, o neoliberalismo é o inimigo primeiro e imediato da verdadeira democracia participativa, não apenas nos Estados Unidos, mas em todo o planeta, e assim continuará no futuro previsível.

Vamos exigir que uma Comissão como a dos Direitos Humanos torne-se composta por representantes dos movimentos sociais.  Depois, bem depois de perdemos o medo principiemos na caça pelas “cabeças” dos dez homens mais ricos do Brasil que segundo contagens de 2010 possuem juntos uma bagatela de 111,5 bilhões de dólares. Gravem os nomes e pesquisem: Sicupira, Marinho (s), Herrmann Telles, Eike Batista, Dirce Navarro de Camargo, Antônio Ermírio de Moraes e José Safra. Cacemos não para imitar atos Stalinistas e sim para distribuirmos o lucro de seus legados aos setores carentes do nosso território. 

Chomsky nos lembra em O lucro ou as pessoas? (1999) :


 “em geral empresas gigantescas que controlam a maior parte da economia internacional têm meios de ditar a formulação de políticas e a estruturação do pensamento e da opinião.” 


Através dessa reflexão nos compete pensar e agir aplicando o calor dos trópicos para uma energia libertadora e criativa. Precisamos sim dançar como bem disse Emma Goldman, em uma discussão com um camarada, mas dancemos para nos movimentar no sentido de sentirmos, parafraseando Rosa de Luxemburgo, as correntes de nossas prisões.

Sem mais, por enquanto.

Texto publicado no CMI Centro de Mídia Independente

domingo, 30 de junho de 2013

Manifesto do Povo Kayapó

Criança Kayapó


                                                                A Rosa Vermelha







Aldeia Kokraimoro, 05 de junho de 2013.



Nós, 400 caciques e lideranças Mebengôkre/Kayapó de todas as aldeias das Terras Indígenas Kayapó, Menkragnoti, Badjonkôre, Baú, Capoto/Jarinã, Xicrin do Catete, Panará e Las Casas, localizadas nos estados do Pará e Mato Grosso, com apoio dos caciques do povo Tapayuna e Juruna, também do estado Mato Grosso, juntos estivemos reunidos na Aldeia Kokraimoro-PA, margem direita do rio Xingu, entre os dias 03 a 05 de junho de 2013. Comunicamos ao governo brasileiro e a sociedade que repudiamos os planos do Governo Federal e do Congresso para diminuir os nossos direitos tradicionais e direitos sobre nossas terras e seus recursos naturais.


A PEC 215 que transfere do poder executivo ao Congresso Nacional a aprovação de demarcação e ratificação das Terras Indígenas já homologadas é uma afronta aos nossos direitos. Dizem que as referidas demarcações seriam participativas e democráticas, mas sabemos que esta proposta é uma estratégia clara da bancada ruralista para não demarcar as Terras Indígenas e diminuir os tamanhos das nossas terras já demarcadas e homologadas.

A PORTARIA 303 expedida pela Advocacia Geral da União viola os nossos direitos sobre os territórios tradicionais que ocupamos e seus recursos naturais. Também infringe os nossos direitos de consulta livre, prévia, informada e participativa, quando o governo quer implantar empreendimentos que impactam direta e indiretamente nosso povo, nossa cultura e nosso território. Lembramos que este direito é garantido também pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, ratificada pelo governo brasileiro.

O Projeto de Lei 1610/96 que está em tramitação no Congresso Nacional tem como proposta a autorização para entrada de empresas mineradoras em nossas terras sem respeitar nossas opiniões e decisões. Não vamos aceitar mineração em nossas Terras.

O Governo e o Congresso precisam respeitar os artigos 231 e 232 da Constituição, que garantem nossos direitos. Exigimos a anulação de todas as portarias, decretos, PL’s e PEC’s que ameaçam e prejudicam os povos indígenas. Nós queremos que a Constituição Federal, que ajudamos a construir, permaneça como está escrita desde 1988. Está escrito que o usufruto exclusivo das riquezas naturais do solo, do rio, da floresta dentro das Terras Indígenas é dos indígenas e não dos brancos.

Não aceitamos arrendamento de nossas terras pro branco encher de gado e de soja, como quer a PEC 237/13 que autoriza arrendamento de pasto em Terra Indígena para fazendeiro e empresas de agronegócio.

Não aceitamos que as forças armadas invadam nosso território sem a nossa autorização, como prevê o Decreto no 7.957/2013. O que aconteceu com nosso parente Munduruku, assassinado pelo Estado brasileiro, é uma vergonha inaceitável que não pode se repetir nunca mais.

Nós queremos uma FUNAI fortalecida, que trabalhe do lado dos Povos Indígenas e não para os interesses do Governo, grupos políticos, das grandes empresas e dos ruralistas.

Nós Mebengôkre, caciques, lideranças, guerreiros e todas as nossas comunidades, desde o inicio não aceitamos a construção de Belo Monte, nem de nenhum outro barramento no Xingu, pois enfraquece nosso povo. Podem ter certeza que não vamos parar de lutar.

O Brasil tem uma dívida histórica conosco, povos indígenas, que nunca será paga. Não estamos cobrando isso, apenas queremos que nossos direitos escritos Constituição Federal de 1988 sejam respeitados. Nós somos os primeiros donos dessa terra que se chama Brasil, portanto continuaremos defendendo nossa terra, nossos povos e nossos direitos.

O Governo precisa se preocupar com a pobreza no Brasil, fazer leis para melhorar a saúde, acabar com a violência, a corrupção, com o trafico de drogas e tudo de ruim que esta prejudicando a sociedade brasileira, e deixem os indígenas viverem em paz em suas terras!

Não reconhecemos como nossos representantes a Presidenta da Republica Dilma Rouseff e os deputados e senadores que estão no congresso, e nem os que ocupam as comissões e sub- comissões estratégicas, decidindo sobre os nossos direitos, como a subcomissão de demarcações de Terras Indígenas. A demarcação de Terras Indígenas tem de continuar como atribuição do poder Executivo.

Não estamos somente preocupamos com nós e nossas terras, mas também com os nossos parentes que ainda estão isolados. Não aceitaremos que estes sejam contatados.

Se não temos representantes no Congresso, vamos mobilizar nossos parentes Kayapó e outros parentes de luta para mostrar para a sociedade nossa mensagem: não vamos aceitar a diminuição dos nossos direitos e nossas terras e vamos lutar da nossa maneira, parando estradas, ocupando canteiros de obras, acionado o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal, articulando com o movimento indígena e a sociedade civil.



segunda-feira, 4 de março de 2013

UM MUNDO CHEIO DE NÃO PESSOAS

A foto é na Rebelião da Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem. Dia 21/02/2013.




Como diz meu amigo Akira Riber Junoro: "Se não nos atentarmos, por muito pouco nos tornamos fascistas!"

Quem confia na reabilitação social através do nosso sistema carcerário que aguarde daqui alguns anos pa
ra compreender melhor esse sistema e talvez (embora tarde) haja um pouco de reflexão e culpa (a mesma que vestiu no pós-guerra milhares de alemães que juraram desconhecer o que se passou naquelas "prisões" com camaras de gás e limpeza étnica).

Pra frisar melhor isso é bom lembrar que atualmente em países de economias inspiradoras ao Brasil como é os EUA a taxa de encarceramento é um negócio e um instrumento de controle social que enriquece de forma surpreendente os bolsos dos donos das prisões privadas (modelo que tende a ser copiado aqui). 


"À medida que o negócio das prisões privadas alastra como gangrena, uma nova categoria de milionários consolida o seu poder político. Os donos destes cárceres são também na prática donos de escravos, que trabalham nas fábricas no interior prisão por salários inferiores a 50 cêntimos por hora. Este trabalho escravo é tão competitivo, que muitos municípios hoje sobrevivem financeiramente graças às suas próprias prisões, APROVANDO SIMULTANEAMENTE LEIS QUE VULGARIZAM SENTENÇAS DE ATÉ 15 ANOS DE PRISÃO POR CRIMES MENORES COMO ROUBAR PASTILHA ELÁSTICA. O alvo destas leis draconianas são os mais pobres mas sobretudo os negros, que representando apenas 13% da população americana, compõem 40% da população prisional do país." ***

Para concluir deposito aqui a opinião sobre o sistema carcerário, de Noam Chomsky (linguista, filósofo e ativista político mais respeitável e decente do nosso tempo):

“Há apenas duas respostas possíveis: ou todos os líderes são coletivamente insanos, o que podemos descartar, ou simplesmente temos que buscar outros objetivos. No exterior é uma campanha de contra-insurgência, em casa, uma maneira de se livrar de uma população supérflua, há uma correlação muito estreita de raça e classe, não perfeita, mas quase: na verdade, os homens negros estão sendo jogados fora. Na Colômbia, chamam de limpeza social. Aqui nós simplesmente dizemos que é colocá-los na prisão”.



*** http://www.diarioliberdade.org/artigos-em-destaque/404-laboraleconomia/28263-10-factos-chocantes-sobre-os-eua.html

A Hora Mais Escura







Não se iludam com o marketing do filme “A Hora Mais Escura” de Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror).

Filme tendencioso que serve apenas para formar opinião, ou melhor, deformar, pois possivelmente o espectador não muito atento termina o filme com três conclusões erradas: 

1- De fato os EUA "deram cabo" de Bin Laden
2- Não, jamais existiu contato diplomático entre os EUA de Bush e Osama Bin Laden, afinal a CIA (como mostra o filme) caçou incansavelmente o dito cujo.
3- Pensei que CIA fosse mais violenta. Esses caras do filme são “fichinha” para a nossa “Tropa de Elite”. 

Além disso, esqueceram de explicar como uma caçada mundial foi tão negligenciada na hora de mostrar o troféu e acabou em uma questão tão pessoal.


Por um Estado no mínimo Laico



Artigo 19, da Constituição Federal diz o seguinte: É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

As Aventuras de Pi



               por Lisa Alves
 
          
            As aventuras de Pi, dirigido por Ang Lee, é um filme sobre o imaginário, sobre Deus(es), sobre a natureza, sobre a arte, sobre a relação entre as espécies e sobre a complexa relação de nós com nós mesmos.

 

         A película em 3D é carregada de simbolismos perspectivos e narrativos, além de paisagens exuberantes que homenageiam a biota do planeta e assinala o domínio intransferível da natureza (algo que passa a beber na fonte de Homero quando Pi volve-se em um Ulisses castigado, testado e expiado pelos deuses). 

 

           O nome do protagonista também me chamou a atenção visto que como o filme o nome de Pi possui duas variantes: a concreta é que ele foi registrado como Piscine Molitor (em homengem ao tio que “coleciona” piscinas – um tio descrito como um Tritão) e a romântica é sobre um garoto Pi que defendia a derivação de seu nome através da letra grega π  (Pi) que refere-se ao número mais famoso da história universal  (3,14159265....). Um número que curiosamente também foi  associado a Deus, ao Criador, à  aquele que representa a fórmula geométrica que criou a natureza.  
             
          As Aventuras de Pi  é uma adaptação da obra literária A Vida de Pi, de Yann Martel